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11/02/2015 12:08 por Redação

Vendas do comércio varejista surpreenderam para baixo em dezembro

Em 2015, a descompressão dos salários e a economia fraca devem impedir uma recuperação mais sustentada do varejo e do consumo das famí

Depec-Bradesco*

As vendas do comércio varejista restrito interromperam uma sequência de quatro altas seguidas em dezembro, ao exibir queda de 2,6%. A volatilidade dos dados entre novembro e dezembro resultou das promoções do Black Friday, que impulsionaram as vendas de forma atípica em novembro. Desse modo, o resultado foi puxado pelas atividades de tecidos, vestuário e calçados; móveis e eletrodomésticos e equipamentos e material para escritório, informática e comunicação. No ano, o varejo manteve a tendência de desaceleração exibida em 2013, com crescimento de 2,2% em 2014, sucedendo alta de 4,3% no ano anterior.

Após quatro meses em alta, vendas no varejo brasileiro caíram 2,6% em dezembro de 2014.

O volume de vendas no varejo restrito (que exclui as atividades de veículos e motos, partes e peças e de material de construção) recuou 2,6% entre novembro e dezembro, já descontados os efeitos sazonais, conforme a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), divulgada hoje pelo IBGE. O resultado reportado ficou abaixo do piso das expectativas do mercado (queda de 2,5%, segundo levantamento da Agência Estado) e da nossa projeção (-1,0%). Na comparação com o mesmo período de 2013, houve avanço de 0,3%, levando o varejo a acumular alta de 2,2% em 2014. No mesmo sentido, o comércio ampliado (que considera as vendas de todos os segmentos) retraiu 3,7% na margem e 2,2% na comparação interanual, acumulando queda de 1,7% no ano.

A queda do varejo restrito foi generalizada entre as atividades e refletiu, em grande medida, a reversão do resultado positivo de novembro, em função das promoções do Black Friday. Assim, o destaque negativo ficou com móveis e eletrodomésticos, que exibiram retração de 9,9%, sucedendo alta de 6,5% em novembro. Na mesma direção, equipamentos e material para escritório, informática e comunicação recuaram 8,8% e tecidos, vestuário e calçados 7,3%, após avanços de 7,6% e 4,2%, respectivamente. No varejo ampliado, o desempenho negativo foi puxado pela queda de 9,4% das vendas de veículos e motos, partes e peças, revertendo alta de 7,3% em novembro.

Na comparação interanual, o crescimento das vendas no varejo em termos nominais manteve a trajetória de desaceleração frente aos últimos meses, passando de uma alta de 7,5% em novembro para 6,0% em dezembro. Com isso, o comércio varejista restrito acumulou expansão de 8,5% em termos nominais em 2014, inferior ao crescimento de 11,9% observado em 2013.

O resultado de dezembro, assim, reforçou a tendência de desaceleração das vendas nominais no comércio exibida ao longo do segundo semestre de 2014. O varejo ampliado foi prejudicado ainda pelo fraco desempenho das vendas de automóveis, que acumularam retração de 9,1% no ano. Para 2015, acreditamos que a descompressão dos salários e o fraco desempenho da economia como um todo devam impedir uma recuperação mais sustentada do varejo e do consumo das famílias como um todo.

* Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco.

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