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06/02/2015 12:34 por Redação

Reajuste dos preços administrados e alimentos in natura pressionaram o IPCA em janeiro

Para os próximos meses, projetamos que fatores temporários devam manter o índice pressionado

Depec-Bradesco*

A variação de 1,24% do IPCA janeiro, divulgada hoje pelo IBGE, ficou ligeiramente acima da nossa projeção (1,20%) e em linha com a mediana das expectativas do mercado (1,25%), segundo coleta da Agência Estado. Com isso, o indicador mostrou aceleração frente à elevação de 0,78% registrada em dezembro e acumulou alta de 7,14% em doze meses. Conforme o esperado, a maior pressão sobre o resultado de janeiro partiu dos preços administrados e dos alimentos in natura, em função do reajuste dos preços de energia elétrica e transporte público e dos impactos da falta de chuva sobre as lavouras.

IPCA tem variação de 1,24% em janeiro, maior alta desde fevereiro de 2003.

Dos nove grupos que compõem o IPCA, houve aceleração em sete deles na comparação com o resultado do mês anterior. Destaque para a alta do grupo habitação, que passou de 0,51% em dezembro para 2,42% em janeiro. Esse resultado refletiu especialmente a elevação dos preços de energia elétrica no período, em parte por conta das Bandeiras Tarifárias. Também contribuíram para a elevação do índice agregado os grupos alimentação e bebidas e transporte, que passaram de 1,08% para 1,48% e de 1,38% para 1,83%, respectivamente. Impactaram nesses grupos o aumento dos preços dos alimentos in natura e das tarifas de transporte público.

Em sentido oposto, o grupo vestuário reverteu a alta de 0,85% exibida em dezembro, registrando deflação de 0,69%, sugerindo comportamento abaixo da sazonalidade. Artigos de residência, na mesma direção, registraram queda de 0,28%, após terem ficado estáveis no mês anterior.

As medidas de inflação subjacente também mostraram aceleração na margem, com a média dos núcleos passando de 0,65% em dezembro para 0,77% no mês passado, acumulando alta de 6,63% em doze meses. Os preços de serviços, por outro lado, recuaram de 1,20% para 0,86%, ainda que em doze meses tenham acelerado de 8,30% para 8,73%. Finalmente, o índice de difusão subiu de 68,4% para 68,9% no mesmo período.

Para os próximos meses, projetamos que fatores temporários devam manter o IPCA pressionado. Prevemos impacto adicional dos reajustes de energia elétrica e persistência da alta dos preços dos alimentos in natura, em função da seca na Sudeste. Adicionalmente, a desaceleração ainda bastante gradual dos serviços neste primeiro trimestre deverá contribuir para que os índices mensais de inflação permaneçam acima de 1%.

* Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco.

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