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15/01/2020 14:35 por Redação

Pressionado no final de 2019, IPCA tem projeção comportada para 2020

Na ótica da mediana dos analistas, pressão já se dissipa e cenário de inflação segue confortável

Leandro C. Negrão, Igor Velecico*

O acúmulo de choques no final do ano passado fez com que a inflação terminasse 2019 em 4,3%, em linha ao centro da meta, 4,25%.Essa proximidade só foi possível devido à concentração de inúmeros choques no último bimestre do ano, que juntos elevaram o IPCA em 1,0 ponto percentual. A saber: i) a antecipação do efeito da peste suína africana (PSA) nos preços domésticos de proteínas – esse impacto era esperado apenas para 2020 e, com sua antecipação, os preços de proteínas subiram 22,1% no último bimestre e impactaram o IPCA em 0,78 p.p..; ii) reajuste de loterias (alta de 40,4%, com contribuição de 0,17 p.p.) e iii) a preocupação com a safra de feijão fez com que os preços subissem +30% para o consumidor nos últimos dois meses, o que adicionou 0,05 p.p. na inflação.

Sem as surpresas supracitadas a inflação teria terminado o ano ligeiramente acima de 3,0%. De fato, até o início de nov/19 a mediana das expectativas dos analistas era de que o IPCA terminaria 2019 em 3,3%. Adicionalmente, mesmo com a surpresa de 1,0 p.p. em dois meses, as expectativas para 2020 ficaram estáveis, o que sugere que esse choque, na ótica da mediana dos analistas, não deverá ser transmitido para outros itens e, portanto, terá um efeito de segunda ordem limitado.

Reforçando a visão de que o cenário de inflação segue confortável, na transição de 2019 para 2020 alguns dos vetores que inflaram o IPCA no final do ano passado começaram a se dissipar. No caso do feijão, desde o pico a cotação já caiu 30% no atacado e a queda deve começar a ser repassada para o consumidor entre janeiro e fevereiro. Com relação às proteínas, no curto prazo a estabilização do preço da arroba do boi próximo a R$ 200 sugere leve deflação para carne bovina no primeiro bimestre. Para os meses seguintes, a incerteza tende a aumentar: a resposta da demanda chinesa pós ano novo (comemorado em 25/jan na China) será muito relevante para determinar a dinâmica dos preços doméstico e externo.

Pensando no balanço de riscos para o cenário de inflação, o tema das proteínas é um dos principais vetores altistas que monitoramos atualmente. Podemos acrescentar também i) o aumento da incerteza em relação ao preço do petróleo, com o acirramento das tensões entre EUA e Irã – no caso de um conflito mais abrangente, o petróleo poderia ser negociado entre US$ 70/US$ 75 (tipo WTI) e acrescentar cerca de 0,50 pp ao IPCA; e ii) atraso do plantio do milho no Brasil, decorrente de um período mais seco no final do ano passado, o que pode atrapalhar a “safrinha” de 2020.

Por sua vez, do lado baixista destacamos: i) energia elétrica – em nosso cenário contemplamos alta no preço de energia neste ano, mas o risco atual é de observarmos deflação. Nesse caso poderia retirar cerca de 0,20 bps do IPCA;  ii) dissipação mais intensa da pressão de proteínas, advinda de algum tratamento para a PSA ou aumento mais rápido da oferta; e iii) continuidade de queda dos juros neutros da economia, que hoje estimamos entre 2,5% e 3,0% mas poderiam cair adicionalmente, dada a melhora na percepção de risco e manutenção da política fiscal e parafiscal adotada nos últimos anos.

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* Leandro C. Negrão e Igor Velecico são economistas do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco.

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