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ANTONIO MACHADO

19/02/2014 01:52 por Redação

Pesquisa detecta Dilma à frente, mas com a maioria ainda alheia à eleição e com desejo de mudança

62,1% dos ouvidos pela sondagem MDA/CNT manifestaram desinteresse, por ora, nas eleições, e 60% não sabem em quem votar (ou votam nulo ou branco)

 A reabertura da temporada de pesquisas eleitorais indica o que os mercados constatam, conforme os dados do instituto MDA, contratado pela Confederação Nacional do Transporte (CNT): a presidente Dilma Rousseff e o governo continuam bem avaliados, embora a taxas pouco menores que na última sondagem dessa série, em novembro, mas há um potencial de insatisfação e a maioria continua alheia à eleição.

 Na fotografia do momento, que também expressa a ampla exposição da presidente na imprensa em contraponto à atuação tímida dos supostos adversários, o desempenho pessoal de Dilma teve 55% de aprovação (e 41% de desaprovação), contra 58,8% em novembro. Nesta série do MDA, a aprovação máxima chegou a 75,7%, em julho de 2012, praticamente repetida em junho de 2013, antes dos protestos nas grandes cidades.

 A avaliação do governo, ao contrário do verificado nos oito anos de mandato de Lula, tem sido muito menor que a nota presidencial. A avaliação positiva do governo Dilma, somando “ótimo” e “bom”, está em 36,4%, abaixo dos 39% na pesquisa de novembro. O resultado ruim e péssimo totalizou 24,8%, vindo de 22,7% em novembro.

 Dilma continua mais bem avaliada que o conjunto representado pelo seu ministério. Na métrica da pesquisa MDA/CNT, iniciada em abril de 2007, a maior taxa negativa do governo Lula atingiu 16,5%, e foi caindo desde então. No fim do mandato, estava em 2,2%. Nem por isso Lula conseguiu evitar o segundo turno na sua reeleição em 2006.

 Tal fato relativiza o resultado da intenção de voto, na qual Dilma venceria em primeiro turno disputando contra Aécio Neves, do PSDB, e Eduardo Campos, do PSB (ou com Marina Silva em seu lugar). Mas na métrica da pesquisa espontânea, sem a indução de nomes, ela aparece disparada na frente, com 21,3% das preferências, vindo depois Lula e Aécio, ambos empatados com 5,6%, Marina, 3,5%, e Eduardo, 1,6%.

 Então, a eleição está resolvida? Longe disso. O MDA assuntou 2.002 eleitores em 137 municípios em 24 estados entre os dias 9 e 14, com margem de erro de 2,2%. Na pesquisa espontânea, 45% não souberam ou não responderam em quem pretendem votar. E 15% optaram pelo voto nulo ou branco. Em suma: 60% dos eleitores, segundo tal amostragem, continuam indefinidos, ou desinteressados do embate eleitoral. Vê-se quando 62,1% dos ouvidos manifestaram nenhum ou pouco interesse na eleição para presidente. Com muito ou médio interesse, só 37,4%.

Cenário está indefinido

 O eleitor se diz, por ora, desinteressado nas eleições (62,1% dos entrevistados), 60% disseram não saber em quem votar (ou votam nulo ou branco). Isso não revela uma tendência firme de preferências. A maioria está ainda sem candidato, embora da parcela minoritária que se diz com cabeça feita a maior parte fecha com Dilma, e manifesta vontade de mudança. É o que sai da lista de desejos da pesquisa.

 Do próximo presidente, 37,2% disseram esperar que “mude totalmente a forma de governar”, enquanto 25% disseram querer que “continuem algumas ações e mude a maioria”. Ou seja: 62,2% querem mudanças. A menor parte, 35,2%, quer que “continue totalmente a forma atual de governar” (12,1%) e “continue a maioria das ações e mude algumas” (23,1%). A sondagem MDA/CNT peca por não discriminar as respostas por nível de renda, grau de instrução e distribuição geográfica.

Confusão de percepções

 Nos itens conjunturais, a expectativa para os próximos seis meses é favorável quanto ao emprego (36,7% acham que vai melhorar; 40,7%, que vai ficar igual; e para 20,7% vai piorar) e a renda (aumentará para 32,2% dos ouvidos; ficará igual, 53,5%; e diminuirá, 12,2%).

 A percepção sobre a renda, contudo, se contradita com a avaliação do custo de vida. Para 77,2% dos entrevistados, a carestia cresceu nos últimos 12 meses. E quase tanto, 71,8%, disseram que vai subir este ano. Está ai a clássica dicotomia entre renda nominal e real, além da percepção difusa sobre o efeito inflacionário. Talvez se possa cogitar, apesar do risco da simplificação, que a inflação não terá o apelo eleitoral contra o governo imaginado pela oposição.

Saúde continua acamada

 Nas questões em que o governo surge visível para o eleitor, porém, a avaliação é ruim, embora nunca tenha sido boa. Tome-se a saúde: 84,4% disseram que precisa de melhorias. A educação foi citada por 47,6%, num questionário com oito tópicos elencados para que dois fossem selecionados. Segurança veio em seguida, com 35,1% citações.

 Tais respostas, pela metodologia empregada, suscitam dúvidas. No caso da educação, 59,4% disseram não ter filhos em escolas. Na avaliação da segurança onde moram, os que disserem ser péssima ou ruim (32,2%) quase empatam com os que a acham ótima e boa (29,9%), enquanto para 76,8% da mesma amostra a violência aumentou muito ou um pouco. Tais opiniões brigam entre si, talvez pela totalização da situação entre cidades com portes diferentes. Veremos noutra vez.

BC descarta um monólogo

 Na arena da economia, em que os embates políticos são jogados para valer, o mercado financeiro entendeu da entrevista do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, à imprensa estrangeira que o ciclo de alta dos juros já teria cumprido o grosso do que dele se espera quanto à demanda e à inflação, e tratou de sair das apostas de um salto da Selic de 10,50% a 11% na reunião do Copom do dia 27.

 O cenário revisado sugere um ultimo ajuste da Selic para 10,75%, e isso baseado no crescimento mais lento que o previsto e na relativa calma da inflação. É uma tese.

 Há outra: Tombini atrelou sua fala à decisão do contingenciamento do gasto orçamentário esperado para as próximas horas. A depender da cena política e do que há a cortar de verdade, basicamente investimento público, tal economia, chamada de superávit primário, será meia boca. E o BC seguirá como vilão de um monólogo, e não de uma peça encenada a dois, junto com a Fazenda.

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