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26/07/2017 15:11 por Redação

Parece que vivemos a era da ditadura das corporações do funcionalismo público

Procuradores federais querem aumento de 16,38% dos salários, indiferentes à fragilidade da economia, ao descontrole das contas públicas e aos milhões de desempregados

Por Mateus Bandeira*

O Brasil atravessa uma gravíssima crise. Estamos tentando sair daquela que foi a maior e mais longeva recessão econômica da nossa história recente, cujo resultado mais visível e doloroso é o conjunto dos 14 milhões de desempregados. A fragilidade da economia é decorrente da crise fiscal, do descontrole das contas públicas.

E os procuradores querem "reajuste" salarial? Será que é piada conosco, os pagadores de impostos?

Circula na internet a lista dos vencimentos dos procuradores, base junho/17. É simplesmente indecente!

O salário base de um procurador da República, de R$ 28.947,55, é decente, mas certamente acima da média de seus pares em países ricos, e cerca de 15 vezes o salário médio do trabalhador brasileiro. Mas o problema maior está nos penduricalhos, que chegam a adicionar R$ 38 mil - isento de IR na fonte e de contribuição previdenciária - ao vencimento regular.

A futura PGR, por exemplo, recebeu em junho R$ 43 mil de vencimentos brutos, mais R$ 22 mil de férias e ainda R$ 35 mil de indenizações funcionais. Total bruto de R$ 100 mil - e, líquido, de quase R$ 80 mil.

Agora, o Conselho Superior do MPF, com aval da nova PGR, aprovou um aumento de 16,38%, o que elevará o salário base para R$ 33.735,06. Trata-se, precisamente, do vencimento de ministro do STF, que vem a ser o teto constitucional para o setor público.

Qual o objetivo? Constranger o Congresso, já que tramita na Câmara dos Deputados a proposta de aumento dos salários dos ministros do STF para cerca de R$ 39 mil.

Parece que vivemos a era da ditadura das corporações. É inacreditável que se fale em reajuste salarial para estas categorias. O Congresso deveria era propor o congelamento dos salários pelos próximos anos.

Até onde vamos suportar?

*Mateus Bandeira é ex-CEO da Falconi Consultoria, ex-presidente do Banrisul e especialista em finanças públicas e planejamento estratégico.

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