Home > DOCES E SALGADOS > Na quarta reunião de 2019, Copom mantém Selic em 6,50% ao ano

DOCES E SALGADOS

19/06/2019 19:00 por Redação

Na quarta reunião de 2019, Copom mantém Selic em 6,50% ao ano

Indicadores recentes indicam interrupção do processo de recuperação da economia brasileira nos últimos trimestres, avalia comitê

Em sua quarta reunião de 2019, encerrada há pouco, em Brasília, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu manter a taxa básica de juros da economia, a Selic, em 6,50% ao ano, patamar fixado na reunião de março do ano passado, nos demais seis encontros de 2018 e também nas três primeiras reuniões deste ano, em 6 de fevereiro, 20 de março e 8 de maio.

A decisão não surpreende o mercado financeiro, que já esperava a manutenção da taxa pela décima vez seguida. A Selic permanece no menor nível da série histórica, iniciada em março de 1999. O próximo encontro do Copom está marcado para os dias 30 e 31 de julho.

Logo após a reunião encerrada no final da tarde de hoje, o comitê divulgou comunicado:

”Em sua 223ª reunião, o Copom decidiu, por unanimidade, manter a taxa Selic em 6,50% a.a.

A atualização do cenário básico do Copom pode ser descrita com as seguintes observações:

Indicadores recentes da atividade econômica indicam interrupção do processo de recuperação da economia brasileira nos últimos trimestres. O cenário do Copom contempla retomada desse processo adiante, de maneira gradual;

O cenário externo mostra-se menos adverso, em decorrência das mudanças nas perspectivas para a política monetária nas principais economias. Entretanto, os riscos associados a uma desaceleração da economia global permanecem;

O Comitê avalia que diversas medidas de inflação subjacente encontram-se em níveis apropriados, inclusive os componentes mais sensíveis ao ciclo econômico e à política monetária;

As expectativas de inflação para 2019, 2020 e 2021 apuradas pela pesquisa Focus encontram-se em torno de 3,8%, 4,0% e 3,75%, respectivamente; e

No cenário com trajetórias para as taxas de juros e câmbio extraídas da pesquisa Focus, as projeções do Copom situam-se em torno de 3,6% para 2019 e 3,9% para 2020. Esse cenário supõe trajetória de juros que encerra 2019 em 5,75% a.a. e se eleva a 6,50% a.a. em 2020. Também supõe trajetória para a taxa de câmbio que termina 2019 e 2020 em R$/US$ 3,80. No cenário com juros constantes a 6,50% a.a. e taxa de câmbio constante a R$/US$ 3,85*, as projeções situam-se em torno de 3,6% para 2019 e 3,7% para 2020.

O Comitê ressalta que, em seu cenário básico para a inflação, permanecem fatores de risco em ambas as direções. Por um lado, (i) o nível de ociosidade elevado pode continuar produzindo trajetória prospectiva abaixo do esperado. Por outro lado, (ii) uma eventual frustração das expectativas sobre a continuidade das reformas e ajustes necessários na economia brasileira pode afetar prêmios de risco e elevar a trajetória da inflação no horizonte relevante para a política monetária. O risco (ii) se intensifica no caso de (iii) deterioração do cenário externo para economias emergentes.  O Comitê avalia que o balanço de riscos para a inflação evoluiu de maneira favorável, mas entende que, neste momento, o risco (ii) é preponderante.

Considerando o cenário básico, o balanço de riscos e o amplo conjunto de informações disponíveis, o Copom decidiu, por unanimidade, pela manutenção da taxa básica de juros em 6,50% a.a. O Comitê entende que essa decisão reflete seu cenário básico e balanço de riscos para a inflação prospectiva e é compatível com a convergência da inflação para a meta no horizonte relevante para a condução da política monetária, que inclui o ano-calendário de 2019 e, principalmente, de 2020.

O Copom reitera que a conjuntura econômica prescreve política monetária estimulativa, ou seja, com taxas de juros abaixo da taxa estrutural.

O Comitê julga importante observar o comportamento da economia brasileira ao longo do tempo, com redução do grau de incerteza a que continua exposta.

O Comitê enfatiza que a continuidade do processo de reformas e ajustes necessários na economia brasileira é essencial para a queda da taxa de juros estrutural e para a recuperação sustentável da economia.  O Comitê ressalta ainda que a percepção de continuidade da agenda de reformas afeta as expectativas e projeções macroeconômicas correntes. Em particular, o Comitê julga que avanços concretos nessa agenda são fundamentais para consolidação do cenário benigno para a inflação prospectiva.

Na avaliação do Copom, a evolução do cenário básico e do balanço de riscos prescreve manutenção da taxa Selic no nível vigente. O Comitê ressalta que os próximos passos da política monetária continuarão dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação.

Votaram por essa decisão os seguintes membros do Comitê: Roberto Oliveira Campos Neto (Presidente), Bruno Serra Fernandes, Carlos Viana de Carvalho, Carolina de Assis Barros, João Manoel Pinho de Mello, Maurício Costa de Moura, Otávio Ribeiro Damaso, Paulo Sérgio Neves de Souza e Tiago Couto Berriel”.

Repercussão

Federação do Comércio do Estado de São Paulo – Segundo a FecomercioSP, decisão foi “sábia” e aponta um BC “não influenciado pela empolgação do início do ano, tampouco pelo ambiente conturbado dos últimos meses, e deve manter o equilíbrio ao longo deste primeiro semestre. (...) O ambiente externo se acalmou, contudo, as atividades econômicas do Brasil ainda estão abaixo das expectativas em decorrência da alta do desemprego.

A entidade diz ainda que, com o avanço da Reforma da Previdência no Congresso e a probabilidade de aprovação ainda em 2019, há a possibilidade de quedas dos juros no fim do ano, fazendo com que a Selic possa ficar abaixo dos 6% em dezembro. “A FecomercioSP apoia o processo de redução de juros diante de um cenário econômico mais tranquilo, com a inflação controlada”.

Associação Comercial de São Paulo – “A decisão é adequada para o momento porque a inflação ainda está um pouco acima do centro da meta, embora já em tendência de queda. Além disso, o ajuste fiscal – cuja espinha dorsal é a reforma da Previdência – ainda está incipiente. Então, a rigor, o cenário é praticamente o mesmo da reunião passada, ainda que haja uma perspectiva do mercado financeiro de que a Selic feche o ano em 5,75%”, diz o economista da ACSP, Marcel Solimeo.

Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro – “A economia brasileira segue com elevada ociosidade nos fatores de produção e, com isso, a atividade econômica segue abaixo do seu potencial, sem pressionar a inflação e suas expectativas", analisa a Firjan. "Nesse cenário, e diante das sucessivas reduções das expectativas de crescimento para o ano, a Firjan entende que havia espaço para o Copom reduzir a taxa básica de juros, estimulando a atividade econômica sem comprometer a meta de inflação".

A entidade das indústrias do Rio diz que "reitera, contudo, que a aprovação da reforma previdenciária, que inclua estados e municípios, é condição fundamental para a ancoragem das expectativas de inflação e a retomada do crescimento sustentável. Sem isso, corremos o risco de voltar a conviver com um ambiente de baixo crescimento e inflação e juros altos".

Confederação Nacional da Indústria - “A decisão mostra a cautela do Banco Central em relação à tramitação da reforma da Previdência e aos possíveis impactos sobre as variáveis econômicas, como o câmbio, o déficit nas contas públicas e o investimento”, afirma o presidente da CNI, Robson Braga de Andrade. Para ele, há um ambiente favorável à redução dos juros. “No plano doméstico, diminuíram as pressões sobre os preços e a inflação continua abaixo da meta, e as dificuldades de recuperação da atividade indicam que a economia crescerá menos de 1% neste ano. Além disso, o desemprego continua alto, o que compromete o consumo das famílias”.

Quanto ao plano externo, Andrade diz que “há um movimento de corte na taxa de juros nos países emergentes, que devem se antecipar ao esperado ciclo de redução dos juros americanos, provocado pela desaceleração da economia mundial”.  E encerra: “A queda dos juros é fundamental para estimular os investimentos, o consumo e, consequentemente, o crescimento econômico e a criação de empregos”.

'
Enviando