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03/02/2015 14:02 por Redação

Incertezas em relação ao cenário global e doméstico devem inibir reação mais evidente da indústria

Estoques em patamar elevado e da desaceleração generalizada do setor indicam que os desafios continuam elevados neste início de ano

Depec-Bradesco*

A produção industrial brasileira recuou 2,8% na passagem de novembro para dezembro, após queda de 0,7% observada na leitura anterior, segundo a Pesquisa Industrial Mensal (PIM) divulgada hoje pelo IBGE. Esse resultado surpreendeu negativamente as expectativas do mercado, de retração de 2,1%, segundo coleta da Agência Estado. Em relação ao mesmo mês do ano anterior, houve retração de 2,7%. Com isso, a produção industrial registrou queda de 3,2% em 2014, revertendo a alta de 2,1% observada em 2013.

Produção industrial recuou 3,2% em 2014, pior resultado desde 2009.

A desagregação do resultado de dezembro revela que o desempenho negativo ocorreu de forma generalizada. Entre os 24 ramos pesquisados,17 deles recuaram ante novembro. As principais influências negativas vieram de veículos automotores (-5,8% nessa métrica) e máquinas e equipamentos (-8,2%). No mesmo sentido, no ano, destacamos a queda da produção de veículos automotores (-16,8%), produtos de metal (-9,8%), metalurgia (-7,4%) e máquinas e equipamentos (-5,9%).

Na abertura por categorias de uso, a produção de bens de capital recuou 23% na passagem de novembro para dezembro. A produção de bens de consumo duráveis caiu 2,2% e a de semi e não duráveis recuou 1,7% em dezembro. No mesmo sentido, a produção de bens intermediários caiu 0,8% no mesmo período. Em 2014, o resultado foi negativo para todas as categorias de uso, especialmente bens de capital e bens de consumo duráveis, com quedas de 9,6% e 9,2% respectivamente.

De modo geral, o desempenho da produção em dezembro sugere que os desafios da indústria continuam elevados neste início de ano, diante dos estoques em patamar elevado e da desaceleração generalizada do setor. Dessa forma, as incertezas em relação ao cenário global e doméstico ainda deverão restringir uma recuperação mais evidente da indústria. Assim, esse resultado da indústria de dezembro é condizente com uma retração de 0,2% do PIB no quarto trimestre, que só será conhecido em março (já com a incorporação da nova metodologia de cômputo das contas nacionais).

* Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco.

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