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24/03/2017 16:35 por Redação

Entrada de investimentos diretos surpreende positivamente em fevereiro

Depec-Bradesco*

Apesar da surpresa com o déficit em transações correntes de fevereiro, o ingresso de Investimento Direto do País (IDP) seguiu forte no período. Assim, em doze meses, o montante recebido de IDP é quase três vezes superior ao déficit em conta corrente. Do lado negativo, destacamos a continuidade de saídas líquidas em renda fixa, também compensadas pela expressiva entrada de IDP.

O saldo em transações correntes foi negativo em US$ 935 milhões em fevereiro, de acordo com os dados divulgados hoje pelo Banco Central. O déficit foi maior que o esperado por nós (US$ 300 milhões) e pela mediana das projeções do mercado (que esperava saldo zerado), segundo coleta da Bloomberg. Em relação ao nosso número, a diferença concentrou-se na maior remessa de lucros e dividendos. Nos últimos doze meses, o déficit acumulado chegou a R$ 22,8 bilhões, menos negativo que o saldo negativo de R$ 23,8 bilhões registrado no mês anterior, sendo equivalente a 1,24% do PIB.

Na conta corrente, em linha com os dados divulgados pelo MDIC, a balança comercial apresentou novo superávit no período (US$ 4,4 bilhões), acima do apresentado em janeiro e em fevereiro de 2016. O saldo maior refletiu, principalmente, o crescimento das exportações. Já o déficit em serviços (de US$ 2,4 bilhões) foi ligeiramente mais forte que o observado no mesmo período do ano passado (US$ 1,9 bilhão). O saldo mais negativo nessa rubrica  refletiu o aumento dos gastos com viagens, diante da apreciação da taxa de câmbio e da estabilização da atividade econômica.

Na conta financeira, o destaque ficou mais uma vez com a entrada líquida de Investimentos Diretos no País (US$ 5,3 bilhões), acima da nossa estimativa (US$ 3,8 bilhões), acumulando US$ 84,4 bilhões nos últimos doze meses.  Os investimentos estrangeiros em carteira, por outro lado, apresentaram saídas líquidas de US$ 907 milhões, por conta principalmente do saldo negativo de US$ 1,6 bilhão em renda fixa.

A taxa de rolagem da dívida externa, por sua vez, caiu no período, ao atingir 57,0%, sugerindo, assim, alguma piora das captações externas no período. Porém, vale ressaltar que boa parte dessa rolagem parcial é explicada pelo segmento financeiro e não esteve relacionada às condições de funding externo, mas sim às decisões em relação à gestão das posições em moeda estrangeira dessas instituições.

Dessa forma, o resultado de fevereiro não alterou nossa expectativa de continuação do ajuste externo. Tendo em vista que a recuperação da atividade tem se mostrado bastante gradual, acreditamos que o déficit externo também persistirá por mais algum tempo. Assim, o déficit externo em 2017 deverá ficar em torno de 1,4% do PIB, sendo facilmente financiado pelos ingressos de Investimento Direto no País.

* Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco.

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