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DOCES E SALGADOS

30/10/2019 18:48 por Redação

Copom reduz a Selic para 5,00% ao ano, menor patamar da série histórica

É a menor taxa básica de juros desde o início do regime de metas de inflação, em 1999

 

Em sua sétima (e penúltima) reunião de 2019, encerrada há pouco, em Brasília, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu reduzir em 0,50 ponto percentual a taxa básica de juros da economia, a Selic, para 5,00% ao ano. É o terceiro corte consecutivo da taxa. Nas reuniões de 31 de julho e 18 de setembro o Comitê já havia praticado reduções de 0,50 pp, para 6,00% e 5,50% a.a., respectivamente.

A decisão não surpreende o mercado financeiro. A Selic está no menor nível da série histórica, iniciada em março de 1999. O próximo encontro do Copom, o último do ano, está marcado para os dias 10 e 11 de dezembro.

Logo após a reunião encerrada no final da tarde de hoje, o comitê divulgou comunicado:

“Em sua 226ª reunião, o Copom decidiu, por unanimidade, reduzir a taxa Selic para 5,00% a.a.

 

A atualização do cenário básico do Copom pode ser descrita com as seguintes observações:

 

Indicadores de atividade econômica divulgados desde a reunião anterior do Copom reforçam a continuidade do processo de recuperação da economia brasileira. O cenário do Copom supõe que essa recuperação ocorrerá em ritmo gradual;

 

No cenário externo, a provisão de estímulos monetários adicionais nas principais economias, em contexto de desaceleração econômica e de inflação abaixo das metas, tem sido capaz de produzir ambiente relativamente favorável para economias emergentes. Entretanto, o cenário segue incerto e os riscos associados a uma desaceleração mais intensa da economia global permanecem;

 

O Comitê avalia que diversas medidas de inflação subjacente encontram-se em níveis confortáveis, inclusive os componentes mais sensíveis ao ciclo econômico e à política monetária;

 

As expectativas de inflação para 2019, 2020, 2021 e 2022 apuradas pela pesquisa Focus encontram-se em torno de 3,3%, 3,6%, 3,75% e 3,5%, respectivamente;

 

No cenário com trajetórias para as taxas de juros e câmbio extraídas da pesquisa Focus, as projeções do Copom situam-se em torno de 3,4% para 2019, 3,6% para 2020 e 3,5% para 2021. Esse cenário supõe trajetória de juros que encerra 2019 em 4,50% a.a., permanece nesse patamar ao longo de 2020 e se eleva até 6,38% a.a. em 2021. Também supõe trajetória para a taxa de câmbio que termina 2019 em R$ 4,00/US$, permanece nesse patamar ao longo de 2020 e encerra 2021 a R$3,95/US$; e

 

No cenário híbrido com taxa de câmbio constante a R$4,05/US$* e trajetória de juros da pesquisa Focus, projeta-se inflação em torno de 3,4% para 2019, 3,7% para 2020 e 3,6% para 2021.

 

O Comitê ressalta que, em seu cenário básico para a inflação, permanecem fatores de risco em ambas as direções. Por um lado, a combinação (i) do nível de ociosidade elevado e (ii) da potencial propagação da inflação corrente, por mecanismos inerciais, pode continuar produzindo trajetória prospectiva abaixo do esperado. Por outro lado, (iii) o atual grau de estímulo monetário, que atua com defasagens sobre a economia, aumenta a incerteza sobre os canais de transmissão e pode elevar a trajetória da inflação no horizonte relevante para a política monetária. O risco (iii) se intensifica no caso de (iv) deterioração do cenário externo para economias emergentes ou (v) eventual frustração em relação à continuidade das reformas e à perseverança nos ajustes necessários na economia brasileira.

 

Considerando o cenário básico, o balanço de riscos e o amplo conjunto de informações disponíveis, o Copom decidiu, por unanimidade, pela redução da taxa básica de juros para 5,00% a.a. O Comitê entende que essa decisão reflete seu cenário básico e balanço de riscos para a inflação prospectiva e é compatível com a convergência da inflação para a meta no horizonte relevante para a condução da política monetária, que inclui o ano-calendário de 2020 e, em grau menor, o de 2021.

 

O Copom reitera que a conjuntura econômica prescreve política monetária estimulativa, ou seja, com taxas de juros abaixo da taxa estrutural.

 

O Copom avalia que o processo de reformas e ajustes necessários na economia brasileira tem avançado, mas enfatiza que perseverar nesse processo é essencial para permitir a consolidação da queda da taxa de juros estrutural e para a recuperação sustentável da economia. O Comitê ressalta ainda que a percepção de continuidade da agenda de reformas afeta as expectativas e projeções macroeconômicas correntes.

 

Na avaliação do Copom, a evolução do cenário básico e do balanço de riscos prescreve ajuste no grau de estímulo monetário, com redução da taxa Selic em 0,50 ponto percentual. O Comitê avalia que a consolidação do cenário benigno para a inflação prospectiva deverá permitir um ajuste adicional, de igual magnitude. O Copom entende que o atual estágio do ciclo econômico  recomenda cautela em eventuais novos ajustes no grau de estímulo. O Comitê reitera que a comunicação dessa avaliação não restringe suas próximas decisões e enfatiza que os próximos passos da política monetária continuarão dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação.

 

Votaram por essa decisão os seguintes membros do Comitê: Roberto Oliveira Campos Neto (Presidente), Bruno Serra Fernandes, Carolina de Assis Barros, Fernanda Feitosa Nechio, João Manoel Pinho de Mello, Maurício Costa de Moura, Otávio Ribeiro Damaso e Paulo Sérgio Neves de Souza”.

 


Repercussão

Federação do Comércio do Estado de São Paulo – A FecomercioSP avalia como benéfica a redução da taxa de juros. De acordo com a assessoria econômica da entidade, cada ponto percentual significa um valor a ser pago em torno de R$ 40 bilhões em juros. Dessa forma, o gasto anual com o pagamento de juros pelo setor público, em relação ao que se tinha no início do ano, vai cair mais de R$ 100 bilhões em termos nominais e R$ 60 bilhões em termos reais (descontando a inflação) no pagamento dos serviços da dívida, "o que já gerou efeito positivo na confiança do empresário".

"A expectativa é que até o final do ano a taxa de juros seja diminuída para 4,5%, visto que a inflação permaneceu estável mesmo com a oscilação do dólar e a despeito de alguns sinais de recuperação da atividade econômica. Além disso, o risco país está em seus menores patamares históricos, o que tem sido observado por investidores nacionais e externos. Contudo, fatores ligados ao ambiente internacional, ainda devem ser pontos de atenção no médio prazo", diz a Fecomercio.

Banco Daycoval - "O comunicado do Copom trouxe novidades interessantes. 2021 entrou no horizonte de decisão; as projeções até lá estão abaixo da meta em todos os anos e modelos mostrados, o que sugere espaço para a taxa Selic ir abaixo dos 4,5%", comenta Rafael Cardoso, economista da Daycoval Asset Management.

"Acreditamos que este cenário tem ganhado força devido ao comportamento da inflação, cenário externo etc. de forma que discutiremos revisar nossa expectativa atual para a Selic de 4,5% ao final de 2020 para baixo. Vale ressaltar que o BCB sinalizou provável corte de juros na próxima reunião, mas, para além disso, mostra certa cautela com o já baixo nível da taxa de juros e com o atual estágio do ciclo econômico. Entretanto, acreditamos que, a despeito disso, as condições para a Selic estão se materializando".

Sindicato da Habitação São Paulo - Na avaliação do presidente do Secovi-SP, Basilio Jafet, a decisão contribui para ampliar a confiança dos empreendedores e dos investidores e, consequentemente, serve de estímulo à recuperação econômica.

"Aliada a indicadores favoráveis como inflação controlada e as recentes reduções nas taxas de juros para financiamentos imobiliários, a medida terá importantes impactos no ambiente de negócios do País", afirma Jafet.

Federação das Indústrias do Estado de São Paulo – "A retomada econômica lenta, a alta ociosidade e a inflação projetada em quase um ponto percentual abaixo da meta não deixam dúvida de que essa nova redução é uma medida acertada”, diz o presidente da Fiesp, Paulo Skaf.

“Após mais de um ano com a Selic no menor patamar histórico, iniciamos um novo processo de queda dos juros e, ainda assim, as taxas ao tomador final seguem altíssimas, como spread bancário tendo, inclusive, aumentado recentemente. É preciso atuar paralelamente em uma agenda de estímulo à competição bancária e diminuição dos spreads para aumentar o efeito da redução da Selic na retomada econômica e na geração de empregos”, acrescenta o dirigente.

Confederação Nacional da Indústria - “A queda da taxa Selic abre caminho para a redução dos custos dos empréstimos para as empresas e os consumidores”, afirma o presidente da CNI, Robson Braga de Andrade. Os juros menores, lembra, estimulam os investimentos das empresas e o consumo das famílias, que são fundamentais para acelerar a recuperação da economia e a criação de empregos.

 

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