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04/12/2019 13:13 por Redação

Avanço do emprego formal no Brasil

Melhora não estaria sendo impulsionada apenas pelo trabalho intermitente

Rafael Murrer, Thiago Angelis, Igor Velecico*

O mercado de trabalho formal vem se recuperando ao longo deste ano, com a intensificação gradual da criação de vagas. A melhora tem sido disseminada, ainda que a maior contribuição continue sendo do setor de serviços. Vale ressaltar que, nos últimos doze meses, o Caged registrou a criação de quase 500 mil vagas formais e, nos últimos três meses em termos anualizados, houve criação de cerca de 750 mil vagas, o maior patamar desde 2013.

A força dos números recentes levantou discussões acerca dos possíveis impactos causados pela última reforma trabalhista, aprovada ao final de 2017. Dentre vários outros pontos alterados na legislação trabalhista – entre eles a possibilidade de acordos coletivos prevalecerem sobre a legislação –, a flexibilização resultante do aumento do limite da jornada parcial e a possibilidade de contratação do chamado trabalho intermitente abriu espaço para contratações com menos horas de trabalho.

Quando avaliadas em conjunto, as pesquisas de emprego reforçam a nossa visão de que o mercado de trabalho formal tem avançado de forma robusta na segunda metade desse ano e que esse avanço não é apenas impulsionado pelo trabalho intermitente.

Ou seja, o emprego formal continuaria se recuperando em ritmo crescente mesmo que não houvesse qualquer contribuição do emprego intermitente a partir do ano passado. O trabalho intermitente tem ajudado a retomada do emprego formal, e essa contribuição provavelmente será crescente, à medida que haja menos incertezas sobre a aplicação da reforma trabalhista. Porém, há indícios de que a melhora acontece a despeito da nova modalidade de trabalho. O mercado formal está melhorando como um todo e esperamos que esse ritmo continue se intensificando – nossa projeção para o saldo do Caged de 2020 é de 800 mil vagas.

Assim, a alta correlação entre a criação de vagas de empregos formais e o crescimento do PIB segue apontando para uma economia em aceleração.Conforme já sugerido pelos dados da indústria, do comércio e do setor de serviços no terceiro trimestre, a recuperação do mercado formal é apenas um ingrediente qualitativo adicional para a retomada, ao facilitar a concessão de crédito com mais garantias. De acordo com os nossos cálculos, o patamar atual do Caged já é condizente com redução da taxa de desemprego e também com uma economia que avança cerca de 2,5% em termos anualizados.

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* Rafael Murrer, Thiago Angelis e Igor Velecico são economistas do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco.

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