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31/05/2019 07:37 por Advillage

Assange é vítima de tortura psicológica, diz relator da ONU

Segundo Nils Melzer, fundador do Wikileaks não deve ser extraditado para os EUA, onde enfrentaria um “julgamento político espetacularizado”

O fundador do WikiLeaks, Julian Assange, tem sofrido tortura psicológica a partir de uma campanha de difamação e não deve ser extraditado para os Estados Unidos, onde enfrentaria um “julgamento político espetacularizado”. A afirmação é do advogado, professor e ativista suíço Nils Melzer, relator especial da ONU sobre Tortura, outros Tratamentos ou Penas Cruéis, Desumanos ou Degradantes.

Melzer, que visitou Assange na prisão de alta segurança de Belmarsh, em Londres, no dia 9 de maio, junto a dois especialistas médicos, disse que o encontrou agitado, sob estresse severo e incapaz de lidar com seu complexo caso legal. “Constatamos que o sr. Assange mostra todos os sintomas de uma pessoa que foi exposta a tortura psicológica por um período prolongado de tempo. O psiquiatra que acompanhou minha missão disse que seu estado de saúde era grave”, afirmou Melzer à Reuters durante entrevista em Genebra. “

O advogado do jornalista australiano, Gareth Peirce, relatou que Assange - que está na enfermaria do próprio presídio londrino - estava doente demais para uma audiência por videoconferência, nesta quinta-feira (30) sobre um pedido de extradição para os EUA.

“Meu entendimento é de que ele agora já foi hospitalizado e não pode ser julgado”, acrescentou Nils Melzer. “O sr. Assange foi deliberadamente exposto, por um longo período de diversos anos, a modos progressivamente severos de tratamento ou punição cruel, desumana e degradante, e os efeitos cumulativos disso só podem ser descritos como tortura psicológica”, declarou Melzer em um comunicado.

Cabe lembrar que Julian Assange permaneceu confinado por sete nas dependências da embaixada do Equador no Reino Unido, onde buscou refúgio em 2012 após ser processado na Suécia sob acusação de estupro. Ele foi preso em abril deste ano, depois que o governo equatoriano autorizou a polícia britânica a entrar no imóvel que abriga a representação diplomática.

Melzer não quis nomear juízes ou políticos sêniores que acusou de difamar Assange, afirmando que “dezenas, se não centenas de indivíduos”, se expressaram inadequadamente. “Não estamos falando aqui sobre processo, mas de perseguição. Isso significa que o poder judicial, instituições e processos estão sendo deliberadamente abusados por motivos ocultos”.

Resposta - O ministro das Relações Exteriores do Reino Unido, Jeremy Hunt, tuitou logo após a declaração de Melzer, dizendo: “Isso está errado. Assange escolheu se esconder na embaixada e sempre esteve livre para ir embora e enfrentar a justiça. O relator especial da ONU deve permitir a tribunais britânicos fazerem os próprios julgamentos sem sua interferência ou acusações inflamatórias”.

Carta

Na semana passada, o jornalista britânico independente Gordon Dimmack divulgou uma carta de Assange a ele endereçada, em que o fundador do Wikileaks denuncia o tratamento que vem recebendo desde que foi preso.

“Fui isolado de toda capacidade para preparar a minha defesa, nem laptop, nem internet, nem computador, nem biblioteca até agora. (...) Apenas duas visitas por mês, e semanas para conseguir inscrever alguém na lista de entrada. (...) Todas as chamadas telefônicas, exceto com o advogado, são gravadas e são num máximo de 10 minutos e num [período] limitado de 30 minutos em cada dia no qual todos os prisioneiros competem pelo telefone. E o crédito? Apenas algumas libras por semana e ninguém pode ligar”.

“[Estou diante de] uma superpotência que se preparou durante nove anos com centenas de pessoas e incontáveis milhões gastos no caso. Estou indefeso e conto consigo e outros de bom caráter para salvar minha vida. Estou intacto embora literalmente cercado de assassinos”. (...)

“O governo dos EUA, ou melhor, aqueles elementos lamentáveis que odeiam a verdade, a liberdade e a justiça querem trapacear a fim de obter minha extradição e morte ao invés de permitir ao público que ouça a verdade pela qual ganhei os maiores prémios de jornalismo e ter sido nomeado sete vezes para o Prémio Nobel da Paz. Em última análise, a verdade é tudo o que temos”.

Leia a íntegra da carta de Assange aqui (em inglês).

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