Home > ARTIGOS > Desaceleração da renda média reforça cenário de queda da inflação à frente

ARTIGOS

31/05/2016 12:35 por Redação

Desaceleração da renda média reforça cenário de queda da inflação à frente

Rendimento médio nominal variou 5,8% em abril, abaixo dos dois meses anteriores, o que tende a favorecer a desaceleração de preços

Depec-Bradesco*

A taxa de desemprego nacional alcançou 11,2% no trimestre findo em abril, segundo os dados divulgados hoje na Pnad Contínua do IBGE. O resultado foi ligeiramente acima da nossa projeção e da mediana das expectativas do mercado, de 11,0% e 11,1%, de acordo com coleta da Bloomberg. Em termos dessazonalizados, a desocupação subiu de 10,2% para 10,6% entre março e o mês passado. Na comparação com o mesmo período de 2015, houve alta de 3,2 pontos percentuais.

A população ocupada novamente apresentou queda mais intensa que a do mês anterior, ao recuar 1,7% em relação a abril do ano passado (ante redução de 1,5% em março). Já a População Economicamente Ativa (PEA) cresceu 1,8% na comparação interanual, mesmo ritmo observado desde o início deste ano. No mesmo sentido, a taxa de participação tem se mantido estável, em torno de 61,5%, desde meados de 2015.

Leia: PNAD Contínua: desemprego subiu para 11,2% no trimestre encerrado em abril.

O rendimento médio nominal total apresentou desaceleração importante em abril, ao apresentar variação de 5,8% na comparação interanual, abaixo dos 6,4% e 6,8% observados em fevereiro e março, nessa ordem. O dado sugere elevação menos intensa dos salários dos admitidos do Caged seis meses à frente, que ainda está em torno de 8,0%.

Além disso, acreditamos que a continuidade das menores altas do rendimento nominal contribuirá para a persistência da desaceleração da inflação, principalmente dos preços dos serviços. Já o rendimento médio real atingiu R$ 1.962,00 no período, o equivalente uma queda interanual de 3,35%.

Comparando a velocidade do emprego nos últimos seis meses em relação aos últimos três (em termos anualizados), notamos um aprofundamento da queda da ocupação (de -2,2% para -2,5%). Esse movimento foi liderado pelo setor formal (de -4,4% para -5,7%) e pelo público (-4,4% para -8,7%). Já o setor informal apresentou crescimento da ocupação, passando de 0% para 10,2%, na mesma base de comparação.

Esperamos continuidade do enfraquecimento do mercado de trabalho neste ano, mas com redução da velocidade de deterioração até o fim do ano, conforme apontado pelos dados de emprego formal do Caged. Além disso, os sinais crescentes de estabilização do PIB já no segundo trimestre podem contribuir para a diminuição do ajuste total do mercado de trabalho.

* Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco.

'
Enviando