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DOCES E SALGADOS

30/05/2019 11:56 por Redação

Netanyahu fracassa na formação de gabinete, e Israel voltará às urnas

Apesar da vitória eleitoral em abril, primeiro-ministro não conseguiu viabilizar coalizão; novo pleito será em setembro

Israel voltará às urnas em 17 de setembro, apenas cinco meses após as eleições legislativas que asseguraram a permanência do primeiro-ministro conservador Benjamin Netanyahu no poder, em abril. Nesta quinta-feira (30), à meia-noite, por 74 votos contra 45, após três votações-relâmpago no Knesset, os parlamentares decidiram dissolver o Parlamento e convocar o novo pleito. Segundo a Rádio França Internacional, a decisão é inédita.

No poder há dez anos consecutivos, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu festejou no mês passado, depois que seu partido, o Likud, recebeu 35 das 120 cadeiras do Knesset. Mesmo empatando com o partido novato centrista “Azul e Branco”, ele era o parlamentar que tinha mais chance de formar um governo, já que o bloco de partidos de direita recebeu mais votos do que o bloco de esquerda.

Leia: Netanyahu assegura maioria parlamentar e a reeleição em Israel.

Mas, se “Bibi” achou que seria fácil costurar uma nova coalizão de governo com partidos de direita, ele errou. Todos os prazos expiraram e ele não conseguiu. Nesta quarta-feira (29), em um dos dias mais intensos da política nacional desde a criação do país, em 1948, Netanyahu tentou todos os truques políticos possíveis para resolver o imbróglio político. Só que ele se deparou com um rival político à altura, outro veterano da política nacional, o ex-ministro da Defesa e ex-chanceler Avigdor Lieberman, do partido ultranacionalista Israel Nossa Casa. Lieberman obteve apenas cinco cadeiras nas urnas, mas virou o fiel da balança para a formação de um novo governo. Sem ele, Netanyahu não tinha as 61 cadeiras necessárias para criar e manter uma coalizão sustentável.

O primeiro-ministro contava com esse novo governo para outra questão: a aprovação de uma imunidade política contra um iminente indiciamento dele em três casos de corrupção. Agora, terá de enfrentar outra campanha eleitoral para se manter no poder.

Lei do Alistamento

A crise surgiu — ao menos oficialmente — de uma desavença entre supostos aliados do premiê, o ex-ministro Lieberman, de extrema-direita, e partidos ultraortodoxos, sobre o alistamento militar. O serviço militar é obrigatório em Israel, mas os ultraortodoxos – extremamente religiosos – discordam e acreditam que estudar os livros sagrados é mais importante do que fazer parte das Forças de Defesa de Israel (FDI).

Diante da perspectiva de ter que sair de cena ao final de um período de 42 dias para formar um governo, Netanyahu optou por angariar apoio para dissolver o Knesset.

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