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30/03/2017 12:50 por Redação

Análise: expansão do PIB será muito moderada no primeiro trimestre

É o que sugerem os resultados dos setores de serviço e comércio na PMC do IBGE

Depec-Bradesco*

Os últimos dados de atividade referentes a janeiro divulgados nesta semana frustraram as expectativas dos analistas de mercado, sinalizando que a retomada da economia será de fato bastante gradual. Ao contrário do avanço da confiança dos consumidores e de diversos setores, os indicadores coincidentes seguem apontando para desempenho negativo da indústria, do comércio e de serviços neste primeiro trimestre. Assim, o ligeiro crescimento do PIB no primeiro trimestre (estimamos alta de 0,3% na margem) deverá ser impulsionado apenas pelo forte desempenho do setor agrícola (com contribuição positiva de 0,5%) e pela mudança do método de dessazonalização (cuja contribuição será também positiva em 0,2%). Posto de outra maneira, retirando esses efeitos, o PIB  mostraria um recuo de 0,4% na margem.

Leia: Vendas no varejo brasileiro recuaram 0,7% entre dezembro e janeiro, aponta IBGE.

As vendas reais do comércio varejista restrito¹ caíram 0,7% na passagem de dezembro do ano passado para janeiro, excetuada a sazonalidade, segundo a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) divulgada hoje pelo IBGE. O resultado ficou bastante abaixo da nossa projeção (1,3%) e da mediana das expectativas do mercado (0,5%), de acordo com coleta realizada pela Bloomberg. Na comparação interanual, as vendas recuaram 7,0%, acumulando contração de 5,9% nos últimos doze meses.

Seis dos oito setores contribuíram negativamente com o resultado. Merecem destaque os declínios de 4,4% e de 4,8% dos segmentos de combustíveis e lubrificantes e de equipamentos e materiais para  escritório, informática e comunicação, respectivamente. Vale comentar, entretanto, que tais itens exibem comportamentos bastante voláteis. Já hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, que correspondem à aproximadamente metade do varejo restrito, apresentaram modesto crescimento de 0,2%.

A receita nominal mostrou queda de 0,8% na margem, bastante próxima à observada em termos reais. Mais uma vez, o movimento refletiu a significativa descompressão da inflação nos últimos meses, indicando que o deflator da PMC foi negativo em janeiro.

Já o volume de vendas do comércio varejista ampliado, que também contempla os segmentos de veículos e materiais de construção, registrou queda de 0,2% na margem, na série dessazonalizada. A retração menos intensa na comparação com o varejo restrito foi novamente explicada pela elevação de 0,3% das vendas de veículos e motos, partes e peças. No sentido oposto, as vendas de material de construção caíram 0,8% no período, mas não reverteram as altas verificadas nos dois meses anteriores.

Diante do desempenho negativo dos últimos indicadores divulgados, reforçamos nossa projeção do PIB do primeiro trimestre, de uma alta 0,3%, refletindo a forte elevação da atividade agrícola no período. Por fim, alteramos nossa projeção do IBC-Br de janeiro, que será divulgado amanhã, para uma queda de 0,5% na margem.

* Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco.

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