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DOCES E SALGADOS

29/05/2019 07:29 por Redação

IBGE anuncia redução dos questionários do Censo 2020

Presidente do instituto admite restrição orçamentária, mas diz que "o mundo está caminhando para uma otimização da operação censitária"

O IBGE anunciou nesta terça-feira (28), no início da noite, que o Censo 2020 terá questionários menores do que o aplicado no Censo 2010. Apesar de reconhecer o contexto de restrição orçamentária, o órgão afirma que a mudança está em sintonia com a tendência internacional e visa uma modernização que torne a operação censitária mais simples e mais ágil.

"O mundo inteiro está caminhando para uma otimização da operação censitária", disse a presidente do IBGE, Susana Cordeiro Guerra. Segundo ela, preocupações com a hipertrofia do Censo já vinham sendo manifestadas há alguns anos por entidades representativas de demográficos e estatísticos.

Segundo as estimativas do IBGE, o Brasil possui 71 milhões de domicílios. Em todos eles, deverá ser aplicado o questionário básico com 25 perguntas. Em 2010, foram 34 questões. Conforme simulações realizadas, a mudança representará uma queda de sete para quatro minutos em cada abordagem. Já o questionário mais completo, destinado a uma amostra de 10% dos domicílios, teve uma redução de 102 perguntas para 76.

O orçamento estimado inicialmente para a operação censitária de 2020 foi de aproximadamente R$ 3,1 bilhões, mas o IBGE trabalha atualmente com uma redução de 25%, relata a Agência Brasil. A meta é investir em torno de R$ 2,3 bilhões. Susana afirmou estar consciente de que não haverá condições de destinar ao Censo o que foi previsto originalmente, uma vez que há um contexto de restrição fiscal e econômica do Brasil que atinge não apenas o IBGE, mas todos os órgãos do governo.

De acordo com ela, o IBGE vem fazendo ajustes relacionados à sua folha de pagamento, ao número de equipamentos, aos treinamentos e aos métodos de supervisão, avaliação e coleta.

Ao mesmo tempo, a economista de 37 anos nega ter recebido qualquer orientação do governo federal para reduzir os questionários. "Nunca houve uma ordem para diminuir o número de perguntas. O IBGE é um órgão de Estado. Eu aceitei assumir a presidência com a condição de ser técnica e de gerir um órgão de Estado. A única coisa que houve foi um quadro de restrição orçamentária. Mas o IBGE tem total autonomia e independência para decidir como vai se adequar a esse contexto. E mesmo sem a restrição orçamentária, nós estaríamos tomando as mesmas decisões que estamos tomando nesse momento", afirma Susana.

Cabe lembrar que o presidente Jair Bolsonaro é um crítico contumaz do IBGE, sobretudo no que se refere aos números do instituto sobre o desemprego no país. Atualmente o órgão é vinculado ao Ministério da Economia, que absorveu a pasta do Planejamento após o rearranjo ministerial empreendido pelo governo em janeiro deste ano.

O Censo brasileiro é realizado a cada dez anos e é a única pesquisa domiciliar que vai a todos os 5.570 municípios do país. Seu objetivo é medir densidade populacional e oferecer um retrato da população brasileira. As informações obtidas subsidiam a elaboração de políticas públicas e decisões dos governos relacionadas com a alocação de recursos financeiros. Para 2020, o IBGE pretende mobilizar até 190 mil recenseadores. Já está previsto para o final de setembro desse ano o censo experimental em Poços de Caldas, município mineiro de 166 mil habitantes, em uma espécie de ensaio geral.

Mudanças

Susana Cordeiro afirma que será mantido o compromisso com a qualidade, com a preservação das séries históricas e com princípios fundamentais das estatísticas oficiais fixados pela (ONU). Segundo ela, as mudanças também partiram de um entendimento de que as transformações tecnológicas tornam a operação mais complexa do que foi em 2010. "O mundo mudou e o Brasil também mudou. O mundo está mais veloz. As pessoas têm uma atenção mais curta. Elas estão inseridas em várias mídias sociais. Lidamos com outro tipo de cidadão e outra propensão de abordagem. Podemos imaginar diversas diferenças que separam esses últimos 10 anos em termos tecnológicos".

Segundo o diretor de pesquisas do IBGE, o demógrafo Eduardo Rios-Neto, apesar de um Censo menos custoso, não haverá perda de informação e nem redução da diversidade temática. Ele cita a decisão de investigar no questionário básico apenas a renda do responsável pelo domicílio e não mais de todos os seus moradores. O responsável pelo domicílio é escolhido pela própria família e não é necessariamente o que ganha mais.

"Renda é uma variável que toma tempo no campo. A mudança que fizemos traz uma eficiência muito grande. Em um domicílio de três pessoas, eu passo a gastar em uma pergunta um terço do tempo que eu gastava antes", diz Rios-Neto. Ele avalia que o prejuízo é pequeno, pois a informação sobre a renda total dos moradores continuará sendo obtida de forma amostral no questionário completo.

As perguntas envolvendo a emigração internacional foram totalmente excluídas no Censo 2020, sob o argumento de que se trata de um evento raro e que os dados sobre o tema podem ser obtidos em registros da Polícia Federal e em estimativas demográficas. Algumas informações sobre as características do domicílio também não serão apuradas. Elas poderão ser posteriormente incluídas em pesquisas amostrais regulares.

No questionário completo, entre as questões retiradas estão as que dizem respeito ao deslocamento de estudantes até suas unidades de ensino, ao estado civil e ao número de horas trabalhadas. O IBGE argumenta que essas informações poderão ser obtidas respectivamente em pesquisas amostrais regulares, em dados de registro civil coletados pelo IBGE e na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua).

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