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DOCES E SALGADOS

28/05/2019 09:17 por Redação

Pesquisa: senhores de direita, brancos e escolarizados são os donos da avenida bolsonarista

No domigo, 55% dos manifestantes na Paulista tinham mais de 45 anos; 75% defendiam as reformas e apenas 6% atacavam o Centrão ou o STF

Pesquisa realizada junto a manifestantes que foram à avenida Paulista, em São Paulo, no último domingo (26), procurou aferir o perfil de público presente e as motivações para participar do evento, que em tese serviriam para apoiar reformas e criticar “elites políticas” que estariam criando obstáculos para o governo Bolsonaro.

Os autores do trabalho observam que a convocação para a manifestação originalmente enfatizava a rejeição às elites políticas, ao Congresso e ao STF, mas, após críticas que apontavam implicações antidemocráticas, a ênfase se deslocou para o apoio a medidas do governo, como a reforma da Previdência e o pacote anticrimes do ministro Sérgio Moro. “Para esclarecer o que havia prevalecido, investigamos qual foi a motivação mais determinante para a participação”.

O levantamento, que ouviu 436 pessoas entre a rua Augusta e a alameda Campinas no período das 13h às 17h do domingo, foi realizado pelo monitordigital.org, projeto que busca mapear, mensurar e analisar o ecossistema de debate político no meio digital. A pesquisa teve coordenação de Pablo Ortellado e Márcio Moretto, professores da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP-Leste (EACH-USP), e da jornalista Ana Luiza Aguiar.

A margem de erro é de 5 pontos. Entre uma lista de motivos para ir à manifestação, o apoio às reformas (75%) predominou de forma expressiva sobre o apoio à Lava Jato (8%) e a rejeição ao STF (6%) e ao Centrão (6%). A confiança na imprensa mostrou-se baixa: Folha teve 4%, e a Globo, 2%. Grupos que se afastaram do bolsonarismo também perderam confiança: MBL teve a confiança deapenas 26% (para fins de comparação, o Vem Pra Rua teve 66%). O ex-astrólogo e guru de extrema-direita Olavo de Carvalho, que vive nos Estados Unidos, tem a confiança de 65% dos manifestantes ouvidos.

As identidades políticas na direita e no conservadorismo foram fortes. 76% se disseram de direita, 72% muito conservadores, 68% nada feministas e 88% muito antipetistas. Entre os respondentes, 77% afirmaram ter ido a manifestações após junho de 2013; 61% declararam presença em atos pelo impeachment de Dilma Rousseff.

A caracterização demográfica dos manifestantes foi muito semelhante à identificada em manifestações anteriores do campo antipetista: pouca participação de jovens, renda familiar acima de 5 salários mínimos e ensino superior completo. O aspecto mais relevante é que essa manifestação foi um pouco mais masculina, com 65% de homens. No recorte por faixa etária, o grupo majoritário (55%) foi da faixa a partir de 45 anos. 66% dos manifestantes eram brancos, e 68% declararam ter curso superior completo.

Confira os resultados da pesquisa na íntegra aqui.

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