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27/05/2015 07:51 por Redação

Com a entrada de US$ 5,8 bilhões, IED surpreendeu novamente para cima em abril

Em 12 meses o investimento estrangeiro direto acumulou US$ 86,1 bilhões, o equivalente a 3,89% do PIB

Depec-Bradesco*

O déficit em conta corrente chegou a US$ 6,9 bilhões em abril, de acordo com os dados divulgados hoje na nota à imprensa do setor externo, pelo Banco Central. O resultado veio acima da nossa projeção e levou o saldo a acumular déficit de US$ 100,2 bilhões nos últimos doze meses, o equivalente a 4,53% do PIB. O valor já considera a nova metodologia de computação da série, divulgada no mês passado.

O déficit no mês passado foi influenciado principalmente pela conta de rendas. A conta de renda primária saiu de um saldo negativo de US$ 2,2 bilhões em março para outro de US$ 3,7 bilhões em abril. A nossa surpresa se concentrou na rubrica lucros e dividendos, cujo déficit passou de US$ 1,2 bilhão para US$ 2,1 bilhões entre março e abril. Em sentido contrário, o déficit na conta de serviços passou de US$ 3,9 bilhões para US$ 3,5 bilhões.

Contribuiu para isso o menor déficit da conta de aluguel de equipamentos, que saiu de US$ 2,4 bilhões para US$ 1,8 bilhão. Já as despesas com viagens internacionais saíram de US$ 955 milhões para US$ 1,2 bilhão no mesmo período. Nesse sentido, a despeito da trajetória exibida em abril, as contas de viagens internacionais e de remessas de lucros e dividendos continuam fracas, favorecendo o ajuste da conta corrente neste ano.

O Investimento Direto no País (IDP) registrou entrada líquida de US$ 5,8 bilhões no mês passado, comparado à entra de US$ 4,3 bilhões em março. O resultado ficou acima da nossa expectativa de US$ 4,7 bilhões. Com isso, nos últimos doze meses acumulou entrada de US$ 86,1 bilhões, o equivalente a 3,89% do PIB. As entradas de renda fixa e de ações, por sua vez, foram positivas em US$ 3,5 milhões e US$ 3,8 bilhões, respectivamente. Isso demonstra que, de fato, os fluxos de capitais estrangeiros para o Brasil continuam robustos, apesar da forte volatilidade nos mercados brasileiros no início deste ano.

A taxa de rolagem da dívida externa ficou em 108% em abril e no ano acumula 104%, o que demonstra condições razoáveis para o financiamento externo das empresas brasileiras.

Mantemos nossa perspectiva de redução do déficit em conta corrente em 2015 para US$ 76 bilhões (o que equivale a 3,8% do PIB, considerando a nova série do PIB e a nova metodologia do balanço de pagamentos), sucedendo déficit de US$ 104 bilhões em 2014 (4,4% do PIB). Adicionalmente, o IDP deve somar US$ 70 bilhões, ante US$ 96,9 bilhões no ano passado.

* Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco.

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