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25/06/2015 14:10 por Redação

Desemprego se deve à queda da ocupação, e não à alta da PEA

Ganhos salariais também têm perdido força, especialmente entre trabalhadores informais

Depec-Bradesco*

Os sinais de enfraquecimento do mercado de trabalho vêm se tornando cada vez mais evidentes. Além do aumento do desemprego em curso, tendência que deverá se intensificar ao longo do ano, os ganhos salariais têm perdido força, especialmente entre os trabalhadores informais. Os dados de salários de admissão do Caged já indicavam uma descompressão relevante dos rendimentos, mas os riscos de materialização desse cenário (em função da inércia inflacionária, rigidez dos reajustes etc.) ainda gerava dúvidas. No entanto, os dados de maio do IBGE indicam que a descompressão está ocorrendo até mesmo acima do sugerido pelos números do Caged. Isso, por sua vez, fortalece o cenário de arrefecimento da inflação de serviços nos trimestres à frente.

A taxa de desemprego nas regiões metropolitanas de Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre passou de 6,4% para 6,7% entre abril e maio, conforme apontado pela Pesquisa Mensal de Emprego (PME), divulgada há pouco pelo IBGE. Esse resultado ficou em linha com a nossa estimativa e ligeiramente acima da expectativa do mercado, de 6,6%, segundo levantamento da Agência Estado. Quando efetuamos o ajuste sazonal, a taxa de desocupação subiu de 6,1% para 6,3% no período.

Leia: Desemprego ficou em 6,7% em maio, acima da taxa de abril.

Quando observamos os dados de taxa de participação, tanto a PME quanto a PNAD contínua mostram estabilidade na margem, e não a alta que é sugerida quando alguns analistas atribuem a piora do desemprego a ela. O argumento da PEA aumentando (e pressionando o desemprego pra cima) faz todo o sentido, olhando para frente. Os dados até aqui, contudo, não mostram qualquer efeito da PEA sobre o desemprego. É sempre bom lembrar que a população do Brasil cresce, assim como a PEA. O normal é a PEA crescer 1% ao ano, e não cair 1%, como ocorreu (nos dados da PME) ao longo do ano passado.

O rendimento médio nominal subiu 3,5% na comparação com maio de 2014, reforçando a desaceleração ocorrida em março e abril, quando essa variação foi de 5,3% e 5,4% (sucedendo alta de 7,3% em fevereiro e 9,3% em janeiro). Suavizado em três meses, o avanço é de 4,8% (frente ao aumento de 6,0% apurado no último mês). Com isso, o rendimento médio real chegou a R$ 2.117,10, o que representa uma queda de 5,0% ante o mesmo período do ano anterior. A moderação nas condições de oferta e demanda no mercado de trabalho já se traduz tanto em queda de ocupação quanto, agora, em desaceleração do rendimento, o que por sua vez deve se traduzir em uma menor pressão nos preços de serviços (intensivos em salários) e ajudar a trazer a inflação para baixo.

Olhando à frente, entendemos que o desemprego continuará sendo pressionado para cima, em especial pelo enfraquecimento do Caged, que sugere uma alta anualizada de 4% na taxa de desemprego nos próximos 12 meses.

* Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco.

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