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24/10/2019 11:44 por Redação

Reflexões acerca da baixa inflação mundial

É necessário reconhecer importantes fatores estruturais que avançam em paralelo aos efeitos da conjuntura econômica

Fabiana D’Atri, Thomas Henrique Schreurs Pires, Leandro Câmara Negrão*

A inflação tem se mantido persistentemente baixa principalmente nos países desenvolvidos e, nos emergentes, há uma convergência para patamares mais baixos do que os observados historicamente. Esse comportamento tem se dado entre os preços de serviços e de bens, aumentando o desafio da condução da política monetária para muitos bancos centrais.

À medida que a inflação desacelerou mais do que o esperado na última década na grande maioria dos países, vimos surgir diversas teses buscando a razão dessa baixa inflação. Em geral, elas centram-se no debate da curva de Phillips, que ao longo dos últimos anos, foi ficando mais horizontal, ou seja, mesmo com vários países em situação de pleno emprego, isso não se traduziu em pressões inflacionárias.

Essa menor transmissão da atividade para a inflação tem sido bastante evidente nos EUA, mas também em um conjunto de 38 países. O parâmetro que mede a sensibilidade da inflação em relação à atividade mudou significativamente quando comparamos os períodos pré e pós crise financeira. As razões para essa mudança de comportamento da inflação parecem mais estruturais do que conjunturais.

No caso do Brasil, os resultados mostram que a relação esperada pela curva de Phillips entre atividade e inflação voltou a se verificar nos últimos anos.Ou seja, a baixa inflação que observamos hoje reflete a desaceleração da economia, que acabou levando a um aumento do hiato do PIB, refletido em taxas de desemprego ainda elevadas. Ainda assim, há de se reconhecer importantes fatores estruturais que avançam em paralelo aos efeitos da conjuntura econômica.

Isso nos dá confiança para um cenário prospectivo mais construtivo, pensando no cenário de inflação. A continuidade de implementação de uma agenda de reformas em conjunto com a manutenção de uma política monetária crível são vetores fundamentais para manter ancorada as expectativas de inflação de médio prazo e, com isso, garantir uma dinâmica dos núcleos de inflação no Brasil mais alinhada com o observado em outras economias no mundo.

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* Fabiana D’Atri, Thomas Henrique Schreurs Pires, Leandro Câmara Negrão são economistas do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco.

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