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DOCES E SALGADOS

24/10/2019 09:21 por Redação

Vítimas de Brumadinho apelam à Justiça da Alemanha

Grupo que denunciou a TÜV Süd em Munique tem esperança de que um processo alemão pressione autoridades brasileiras e evite a impunidade

Um grupo de cinco mulheres – filhas, esposas e irmãs de mortos na tragédia de Brumadinho (MG), ocorrida em janeiro deste ano – apresentaram em Munique uma denúncia contra a certificadora TÜV Süd, que atestou a estabilidade da barragem da Vale, e contra um diretor da empresa no país, sob acusações de homicídio culposo, negligência e corrupção.

"Se a TÜV Süd tivesse agido da forma correta e não dado o laudo de estabilidade, talvez a Vale seria obrigada a encerrar as atividades no local e talvez o dano de vidas humanas seria muito menor. A TÜV Süd tem uma grande responsabilidade por ter emitido esse laudo falso", afirma à Deuteche Welle a jovem Angélica Amanda da Silva Andrade, de 25 anos, que perdeu a irmã Natália na tragédia.

"Nossas vidas viraram de cabeça para baixo e acredito que nunca mais será a mesma coisa. Estamos enfrentando vários problemas, lidando com depressão, com o estresse pós-traumático, e é muito difícil levar a vida cotidiana", conta Angélica. "Brumadinho é uma cidade em luto. Em qualquer lugar, encontramos pessoas que perderam parentes ou que nos desejam condolências. A memória da tragédia está viva, também porque ainda conseguimos ver a lama tóxica na ponte no centro da cidade", acrescenta.

Além da dor, a insatisfação com a lentidão da Justiça brasileira e a ameaça de impunidade uniram as jovens em sua luta na Alemanha. Do outro lado do oceano, elas buscam a responsabilização de pelos menos parte dos culpados pelo desastre.

A denúncia na Alemanha só foi possível graças às investigações realizadas no Brasil, que reuniram indícios concretos de que a sede da TÜV Süd em Munique e um diretor alemão da certificadora tinham conhecimento e poder de decisão sobre as questões da subsidiária brasileira, a Bureau de Projetos e Consultoria Ltda.

As investigações sobre a tragédia indicam que os engenheiros da subsidiária sabiam que a barragem tinha problemas de segurança desde março de 2018. Um diretor da certificadora na Alemanha, que supervisionava a equipe brasileira e viajava cerca de uma vez por mês ao Brasil, teria sido informado sobre o caso e questionado pelos funcionários sobre como eles deveriam agir naquela situação.

Apesar das dúvidas quanto à segurança e da recomendação de um dos engenheiros para não confirmar a estabilidade, a TÜV Süd atestou a estabilidade da barragem em junho e setembro de 2018, poucos meses antes do rompimento da estrutura. E-mails indicariam que os funcionários da certificadora estavam sendo pressionados pela Vale para assinar o relatório.

Leia a reportagem completa da Deutsche Welle aqui.

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