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DOCES E SALGADOS

24/10/2019 08:12 por Redação

Promessas de Piñera não surtem efeito no Chile

País registra primeiras greves desde que presidente anunciou reformas sociais; milhares de trabalhadores seguem se manifestando nas ruas

Estudantes e sindicalistas lideraram passeatas por Santiago nesta quarta-feira (23), na primeira manifestação formalmente organizada contra a desigualdade social desde que o presidente do Chile, Sebastian Piñera, prometeu reformas sociais para tentar encerrar os dias de tumultos.

Milhares de trabalhadores em greve, incluindo profissionais de saúde e professores, cantaram e carregaram faixas na capital e em outras cidades. As marchas pacíficas foram monitoradas pela polícia e por soldados., relata a Reuters.

As reuniões populares somaram quatro dias de protestos, ataques criminosos e saques, com mais de 6 mil pessoas detidas e pelo menos 18 mortos. Milhares de chilenos desafiaram um estado de emergência e toque de recolher militar.

Segundo José Pérez Debelli, presidente da Associação Nacional de Empregados Fiscais (ANEF), um dos sindicatos que convocou a greve, entidades sindicais e organizações sociais queriam ter voz na implementação de um plano de reforma social anunciado por Piñera na noite de terça-feira (22). “Precisamos levar a voz daqueles que estão nas ruas, para canalizar raiva e descontentamento pela desigualdade de nosso país”, afirmou.

A Federação de Trabalhadores do Cobre (FTC), que inclui trabalhadores sindicalizados de cada divisão da mineradora estatal Codelco (Corporación Nacional del Cobre de Chile), a maior produtora de cobre do mundo, concordou em se juntar à greve geral nacional desta quarta-feira.

A Codelco disse que uma de suas minas foi fechada e as operações em uma fundição foram drasticamente reduzidas. Seis das oito divisões da Codelco continuavam com a “maioria de suas operações”, informou a empresa em comunicado.

A produtora de cobre Antofagasta disse ontem que os protestos no Chile podem reduzir sua produção em cerca de 5 mil toneladas, equivalente a menos de 3% da produção do terceiro trimestre, devido a atrasos nos suprimentos e interrupções de viagens para os trabalhadores.

Jimena Blanco, chefe de pesquisa da consultoria Verisk Maplecroft na América Latina, afirmou que é “uma questão de tempo” até que efeitos ao longo da cadeia de suprimentos tenham um impacto negativo no setor de mineração. “Por exemplo, a greve de ontem pelo sindicato dos trabalhadores portuários afetou 20 das instalações marítimas do país, incluindo as principais exportações de mineração em Antofagasta e Iquique”, disse ela.

Em seu anúncio, Piñera destacou que esperava transformar os violentos protestos em uma “oportunidade” para o Chile. As reformas propostas pelo presidente incluem um incremento às aposentadorias, a criação de um teto para os gastos com medicamentos, a redução nas tarifas de energia elétrica e o aumento dos impostos para os mais ricos.

As promessas do presidente não surtiram muito efeito, pois as medidas anunciadas não serão imediatas e ainda terão que passar por aprovação no Congresso, assinala a Agência Brasil. Além disso, algumas das propostas não são novas e já estavam tramitando no Parlamento, como a criação de um teto para os gastos com medicamentos.

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Redução de juros e impactos na economia

Nesta quarta-feira, o Banco Central do Chile reduziu nesta quarta-feira sua taxa básica de juros de 2% para 1,75%. A reunião mensal de política econômica já estava prevista.

Segundo a autoridade monetária, até o momento a crise provocou "efeitos limitados" na economia, como a queda do peso e o recuo na Bolsa de Valores, que perdeu 1,65% nesta quarta-feira.

O BC chileno alertou que a crise social e os protestos irão impactar a economia “devido à "paralisação parcial do país e o dano à infraestrutura", relata a AFP. "A médio prazo será importante a magnitude e a velocidade da reconstrução, o impacto sobre as expectativas e os efeitos das medidas anunciadas pelo governo"

Sobre a redução da taxa de juros, o BC destacou que sua decisão é baseada em um cenário externo que permanece marcado por "importantes focos de tensão e a deterioração da atividade manufatureira, dos investimentos e do comércio internacional". Quanto à inflação, o BC prevê que seguirá em torno de 2%.

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