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DOCES E SALGADOS

24/10/2019 07:54 por Redação

Óleo no Nordeste afeta mercado de pescado e UFBA alerta sobre contaminação

Instituto de Biologia detectou metais pesados em animais marinhos; em humanos, as substâncias podem causar problemas de saúde

As manchas de óleo que atingem o Nordeste já chegaram ao mercado de pescado. Os poluentes dificultam a ação dos pescadores, e pesquisas já orientam que se evite comer produtos das regiões afetadas. O Instituto de Biologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA) realizou uma pesquisa com 50 animais marinhos e detectou metais pesados em todos eles. No organismo humano, essas substâncias podem causar náuseas, vômito, enjoo, problemas respiratórios e arritmia cardíaca, entre outras consequências nocivas.

Francisco Kelmo, da UFBA, explicou ao Estadão que, assim que o óleo chega à costa, o material se deposita em rochas, areias e manguezais, que são onde mariscos, caranguejos, ostras e siris se alimentam. Quando esses animais filtram a água do mar, o petróleo entra no sistema respiratório. Em alguns casos, morrem por asfixia; em outros, o metal pesado se deposita no próprio tecido deles.

"Pela cadeia alimentar, esses metais pesados são transferidos para nós, o que é algo extremamente perigoso", diz o professor.

Minimizando efeitos

Pesquisadores da UFBA estão tentando minimizar os efeitos negativos do óleo recolhido nas praias do litoral do Nordeste. Eles criaram uma técnica que transforma o óleo em um tipo de carvão granulado, que pode ser usado como mistura para asfalto e blocos de construção.

Segundo a professora associada Zenis Novais, doutora em Química, o projeto de compostagem adiciona álcool, etanol e acetona no óleo achado nas praias e que, para fazer a mistura, é usada uma betoneira. Dentro dela, são usados bioaceleradores desenvolvidos pelos pesquisadores. Nesse processo, para cada 20 quilos de petróleo cru, utiliza-se 200 ml de removedor de esmalte, álcool comercial 99% e dois quilos de pó de serragem. Os componentes químicos que compõem a substância auxiliam na degradação do óleo e o transforma em carvão.

“Esses bioaceleradores, dois sólidos e três líquidos, não agridem o solo nem os vegetais”, afirmou a professora Zenis Novais. O processo dura, em média, uma hora.

Óleo por toda parte

Até segunda-feira (21), já haviam sido recolhidas 98 toneladas de óleo cru somente em Salvador, segundo a Limpurb (Empresa de Limpeza Urbana de Salvador). O governador da Bahia, Rui Costa (PT), informou que todo o material que for recolhido nas praias do estado será processado e reciclado por uma empresa especializada. De acordo com o governo da Bahia, novas manchas apareceram na terça-feira (22) no litoral sul do estado.

Já foram recolhidas mais de 900 toneladas de petróleo cru em todo o litoral nordestino. Mais de 2 mil quilômetros de costa foram poluídos com o material, que também atingiu mangues e corais.

Os primeiros registros de manchas de óleo nas praias da região Nordeste são do dia 30 de agosto deste ano. Ainda não há certeza sobre a origem do vazamento. Atualmente, mais de 200 localidades litorâneas registram presença de óleo cru.

Leia também: União pode ser responsabilizada por óleo em praias do Nordeste.

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