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24/06/2019 07:55 por Advillage

Brasileiro de 13 anos encanta no principal concurso de violino do mundo

Guido Sant'Anna, um dos destaques na Menuhin Competition, vive em São Paulo e tem bolsa de estudos só até fevereiro do ano que vem

GUIDO SANT'ANNA
Guido Sant’Anna é o primeiro latino-americano a ser chamado para participar da Competição Menuhin, em Londres, a mais prestigiosa premiação do mundo para violinistas. Ele foi um dos seis finalistas entre 317 músicos, de 51 nacionalidades.

O jovem brasileiro, que tem apenas 13 anos de idade, impressionou o júri de músicos profissionais e ainda foi escolhido pelos internautas como o mais talentoso.  No ano passado ele foi um dos vencedores da competição realizada em Genebra, na Suíça.

“O encantamento foi tal que se resolveu que, justamente pelo potencial de uma das maiores promessas brasileiras para o mundo da música, o garoto precisava de um violino novo”, escreve Vivian Oswald, correspondente da Rádio França Internacional em Londres. Não propriamente novo, mas um instrumento que seja capaz de alçá-lo ao Olimpo musical. Ele vinha usando violinos emprestados pela professora e agora tem um para chamar de seu. Trata-se de um Cremona de 1833. Não é dado, mas emprestado pelo tempo que ele estiver disposto a guardá-lo.

Foi com o novo “brinquedo” que o menino se apresentou em um concerto na embaixada do Brasil em Londres, acompanhado pelo pianista Gordon Black, que é diretor artístico da competição Menuhin. Era apenas o seu primeiro dia com o novo instrumento, mas eles pareciam velhos amigos inseparáveis. “Costuma levar tempo para um músico se adaptar a um violino. Mas era como se ele tivesse tocado nele muitas vezes”, disse Black.

Sonho de família musical - A mãe, Glauce Sant’Anna, que está sempre ao seu lado, conta que precisa ficar em cima para que ele estude. O sonho do violino é dela também. Filha de pianista, ela fez questão de aprender um pouco de violino para ensinar aos três filhos. O mais jovem se sobressaiu. Desde os cinco anos, quando começou a tocar, parece se transformar com o instrumento na mão.

Guido nunca estudou teoria musical formalmente. Mas a sua relação com o violino parece natural. Ele diz que não sabe bem ainda o que pretende fazer da vida. Mas está muito claro que o seu futuro é o violino. Gordon Black diz aos espectadores presentes que, se fecharem os olhos, não ouvirão uma criança. Afirma que ele poderia ser até mesmo Yehudi Menuhin, considerado um dos maiores violinistas do século XX, que era americano mas passou a maior parte da carreira no Reino Unido.

Bolsas financiam estudos - De origem simples, Guido tem bolsa integral para estudar na escola americana em São Paulo, e tem também uma bolsa de um mecenas estrangeiro misterioso que não quer ser identificado. É ele quem paga as aulas com a professora Elisa Fukuda, seus deslocamentos para concursos e até uma parte do aluguel da casa para onde o menino e família se mudaram para estarem mais perto dos estudos.

Mas a ajuda tem prazo. Vai até fevereiro do ano que vem. Guido vai precisar de apoio para dar asas aos sonhos e mudar de patamar. Ele não descarta estudar fora. A mãe acha também que é o melhor caminho. Mas o reconhecimento que o prodígio conquistou até agora e todos os prêmios não são suficientes para que leve a carreira adiante.

Seu primeiro concerto foi com o maestro Júlio Medaglia. O jovem violinista já tocou como solista Brasil afora com a Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo, Johann Sebastian Rio, Camerata Sesi, de Vitória, Orquestra do Festival Virtuosi, em Pernambuco, Camerata UFMT, no Mato Grosso, e Orquestra Ulbra, no Rio Grande do Sul.

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