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24/03/2020 13:48 por Advillage

Vítima do coronavírus, Manu Dibango morre aos 86 anos em Paris

Músico camaronês era uma lenda do jazz e um dos precursores da world music

MANU DIBANGO
Hospitalizado há vários dias, depois de ter sido testado positivo para a Covid-19, o saxofonista camaronês Manu Dibango, lenda do afrojazz, morreu em Paris, aos 86 anos. A informação foi confirmada na manhã desta terça-feira (24) por sua gravadora. O músico é considerado a primeira celebridade mundial a morrer devido ao coronavírus.

A vida de Emmanuel N'Djoke Dibango, mais conhecido como Manu Dibango, foi inteiramente dedicada à música, assinala a Rádio França Internacional. Ele ficou conhecido mundialmente com o sucesso do hit Soul Makossa, em 1972, que entrou para a história do jazz. A música fazia parte do lado B de um disco de 45 rotações, cujo título principal era um hino para o time de futebol de Camarões na Copa Africana de Nações de futebol. Soul Makossa caiu nas graças de DJs de Nova York, e a canção conquistou os Estados Unidos.

Manu Dibango nasceu Duala, a maior cidade de Camarões, em 12 de dezembro de 1933. Foi no coral do templo religioso, onde sua mãe era professora, que ele aprendeu a cantar. Em casa, na vitrola dos pais, ele teve contato com músicas francesas, americanas e cubanas, trazidas por marinheiros que desembarcavam no porto de Duala.

Aos 15 anos, seu pai o enviou para estudar na França. Foram três semanas de barco até chegar ao porto de Marselha, onde desembarcou, como conta em sua biografia, com 3 kg de café em sua mochila. Mercadoria rara na França após a guerra, o produto rendeu dinheiro suficiente para pagar um mês de pensão ao jovem.

Precursor da world music

O jazz entrou na vida de Manu Dibango e nunca mais o deixou. O saxofone se tornou seu instrumento favorito. Ele conheceu o também músico camaronês Francis Bebey, e juntos formaram um grupo que se apresentava em bares e casas noturnas.

Ao deixar de fazer as provas para entrar na faculdade, seu pai deixou de sustentá-lo. Dibango se mudou para a Bélgica, onde seu jazz ganhou contornos mais africanos em contato com a comunidade congolesa local, em plena efervescência.

O Congo Belga declarou independência em 1960. Manu Dibango partiu para Léopoldville, (atual Kinshasa), onde dirigiu uma casa noturna e lançou o twist. No início dos anos 1960, seu país, Camarões, estava em guerra civil e ele retornou à França, onde descobriu o rythm and blues e estrelas francesas da época, como Dick Rivers e Nino Ferrer, que o contrataram como músico.

Nos anos 1990, Manu Dibango gravou o álbum Wakafrika com os maiores sucessos africanos, uma viagem de Dakar à Cidade do Cabo. Youssou N'Dour, Salif Keita, Angélique Kidjo, Peter Gabriel participaram do projeto. Outros álbuns foram ainda gravados por esse artista genial, precursor da world music.

Assista ao clipe original de "Soul Makossa":



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