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24/03/2016 10:52 por Redação

Desemprego de 9,5% em janeiro superou de leve as projeções

Por outro lado, o enfraquecimento do mercado de trabalho este ano deve ser menos intenso do que em 2015

Depec-Bradesco*

Assim como enfatizamos em publicações anteriores, a Pesquisa Mensal de Emprego (PME) foi inteiramente substituída pela Pnad Contínua neste mês. A principal diferença entre as pesquisas consiste na abrangência territorial, visto que a Pnad Contínua contempla todas as regiões do País, enquanto a PME atinge apenas seis regiões metropolitanas. Além disso, os dados mensais da Pnad Contínua são divulgados em termos de média móvel trimestral, sempre finda no mês de referência. Essas divergências são responsáveis, em grande medida, pela diferença de nível entre os dados das duas pesquisas. Apesar dessas vantagens da Pnad Contínua em relação à PME, a primeira apresenta um histórico bem menor que a segunda, pois teve início apenas em  março de 2012, dificultando análises de longo prazo.

Leia: PNAD Contínua: desemprego subiu para 9,5% no trimestre encerrado em janeiro.

A taxa de desemprego nacional alcançou 9,5% no trimestre findo em janeiro, segundo a Pnad Contínua divulgada hoje pelo IBGE. O resultado ficou ligeiramente acima da nossa projeção e da mediana das expectativas do mercado, ambas em 9,3%. Descontada a sazonalidade, a taxa de desocupação passou de 9,8% para 9,9% entre dezembro e o primeiro mês deste ano. Em relação ao mesmo período do ano passado, houve alta de 2,7 pontos percentuais.

A população ocupada acentuou a trajetória de queda apresentada nas últimas divulgações, ao recuar 1,1% na comparação interanual. Diferentemente do apresentado pela PME, a série da PEA na Pnad Contínua vem mostrando crescimento persistente desde o início do ano passado, com aceleração no segundo semestre. Em janeiro, a população economicamente ativa cresceu 1,8%, na mesma métrica, contribuindo para o aumento da taxa de desemprego no período.

O rendimento médio nominal mostrou ligeira desaceleração em janeiro, ao apresentar elevação de 8,0% em relação ao mesmo período de 2015, abaixo dos 8,5% observados nos três trimestres móveis anteriores, patamar muito próximo ao registrado no mercado formal, como mostram os dados do Caged. Com isso, o rendimento médio real atingiu R$ 1.939,00 em janeiro, o equivalente a uma retração interanual de 2,5%.

Esperamos continuidade do enfraquecimento do mercado de trabalho neste ano, ainda que em menor magnitude que a observada em 2015, como já sugerido pela desaceleração no ritmo de redução de vagas formais em janeiro. Dessa forma, projetamos que a taxa de desemprego alcance, em  média, 11,8% (o que corresponderia a uma taxa de 10,2% na PME).

* Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco.

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