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23/05/2017 13:12 por Redação

Na sequência do ajuste externo, fluxo de investimento direto permaneceu robusto em abril

Déficit externo em 2017 deverá ficar em torno de 1,2% do PIB, sendo facilmente financiado pelo IED

Depec-Bradesco*

Os dados de abril do Balanço de Pagamentos mostraram forte superávit em conta corrente, indicando que o ajuste das contas externas seguiu em curso. Além disso, o ingresso de Investimento Direto no País (IDP) seguiu fortalecido no período. Assim, em doze meses, o montante recebido de IDP é significativamente superior ao déficit em conta corrente (a necessidade de financiamento externo é negativa em US$ 65 bilhões). Ademais, o saldo de investimentos estrangeiros em renda fixa ficou bastante positivo, apresentando entradas líquidas de US$ 4,4 bilhões.

Leia: Contas externas têm superávit de US$ 1,15 bilhão em abril, informa BC.

O saldo em transações correntes foi superavitário em US$ 1,15 bilhão em abril, segundo os dados divulgados hoje pelo Banco Central.  O resultado foi inferior à nossa projeção (de US$ 1,5 bilhão) e próximo à mediana das expectativas do mercado (US$ 1,2 bilhão), de acordo com estimativas coletadas pela Bloomberg. Em relação ao nosso número, a surpresa foi explicada essencialmente por remessas de lucros e dividendos superiores à nossa expectativa.  Nos últimos doze meses, o déficit acumulado foi de US$ 19,8 bilhões, o equivalente a 1,10% do PIB.

Na conta corrente, destacamos novamente o forte superávit da balança comercial (US$ 6,7 bilhões), em linha com o sugerido pelos dados divulgados pelo MDIC. Mais uma vez, o saldo bastante positivo foi impulsionado pelo avanço das exportações. Para maio, os dados semanais já apresentam significativo superávit, indicando que saldo balança comercial deverá repetir o forte desempenho de abril. O déficit em serviços (de US$ 2,5 bilhões) ficou em patamar semelhante ao registrado em abril de 2016. Já o déficit de renda primária chegou a US$ 3,2 bilhões nessa divulgação contra déficit de US$ 1,9 bilhão no mesmo período do ano anterior.

Na conta financeira, Investimentos Diretos no País seguiram mostrando forte entrada líquida (US$ 5,6 bilhões), ligeiramente acima da nossa projeção. Com isso, este item acumulou saldo positivo de US$ 84,7 bilhões nos últimos doze meses. Em contrapartida, houve saída líquida de US$ 383 milhões em ações, ao passo que a rubrica de renda fixa apresentou entradas liquidas de US$ 4,4 bilhões.

Outro ponto positivo é que a taxa de rolagem atingiu 89% em abril, na esteira da melhora verificada em março. No primeiro quadrimestre, a taxa média foi de 86%, superior à observada no mesmo período do ano passado, quando havia ficado em 45%, reforçando a tendência de melhora das condições de funding da economia brasileira nesse início de ano.

Dessa forma, os dados de abril fortalecem nossa expectativa de continuidade do ajuste externo. Tendo em vista que a recuperação da atividade vem se mostrando bastante gradual, acreditamos que o ajuste do déficit externo também persistirá por mais algum tempo. Além disso, a balança comercial seguirá contribuindo positivamente com o saldo em transações correntes. Ainda que as importações se recuperem, as exportações têm se mostrado bastante fortes, o que deve compensar tal efeito. Assim, o déficit externo em 2017 deverá ficar em torno de 1,2% do PIB, sendo facilmente financiado pelos ingressos de Investimento Direto no País.

* Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco.

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