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23/03/2016 15:43 por Redação

Sob a metodologia clássica, saldo em conta corrente ficou positivo no mês passado

Fica mantida a perspectiva de redução do déficit este ano para US$ 8,1 bilhões, ou 0,5% do PIB

Depec-Bradesco*

As análises a seguir são baseadas nos dados do Balanço de Pagamentos segundo a metodologia clássica (BPM5), por entendermos ser essa abordagem mais relevante para o conceito de fluxo cambial, como já havíamos reforçado em publicações anteriores. Acreditamos que a atual metodologia (BPM6) causa certas distorções em algumas contas, que podem ser vistas na rubrica Investimento Estrangeiro Direto (agora chamada Investimento Direto no País), ao acrescentar as operações intercompanhia e os lucros reinvestidos.

Leia: Contas externas encerraram fevereiro com déficit de US$ 1,919 bilhão

O saldo em transações correntes foi superavitário em US$ 199 milhões em fevereiro, de acordo com os dados divulgados hoje pelo Banco Central. O resultado foi bem superior ao observado no mesmo período do ano passado, quando foi negativo em US$ 6,8 bilhões, reforçando, mais uma vez, o ajuste do setor externo em curso desde o ano passado. Nos últimos doze meses, a conta corrente acumulou saldo negativo de US$ 32,7 bilhões, o equivalente a 1,9% do PIB.

A balança comercial contribuiu, mais uma vez, de forma positiva para o resultado do período, com superávit de US$ 3,0 bilhões. Em contrapartida, as contas de serviços e de rendas mantiveram sua trajetória negativa, ao registrarem déficits de US$ 1,9 bilhão e US$ 1,2 bilhão, respectivamente.

O Investimento Estrangeiro Direto (IED) registrou entrada líquida de US$ 4,7 bilhões, segundo a metodologia clássica, sucedendo um saldo positivo de US$ 3,55 bilhões em janeiro. Com isso, acumulou, em doze meses, entrada de US$ 66,4 bilhões, que correspondem a 3,8 % do PIB.

Já os investimentos em carteira apresentaram saldo negativo de US$ 3,3 bilhões, refletindo, majoritariamente, a saída líquida de US$ 4,1 bilhões em renda fixa.

A taxa de rolagem, por sua vez, continua em baixo patamar, apesar da ligeira recuperação no período, ao oscilar de 17,2% para 26,6% entre janeiro e o mês passado, ainda sugerindo piora no financiamento externo das empresas.

Dada a continuidade do intenso ajuste em curso nas contas externas, mantemos nossa perspectiva de redução do déficit em conta corrente neste ano. Considerando o conceito clássico (BPM5), projetamos para 2016 déficit externo de US$ 8,1 bilhões (equivalente a 0,5% do PIB) e entrada líquida de Investimento Estrangeiro Direto de US$ 50 bilhões.

* Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco.

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