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22/06/2015 14:37 por Redação

Ajuste nas transações correntes persistiu em maio, e IED surpreendeu para cima

Mantemos nossa perspectiva de forte redução do déficit em conta corrente em 2015 para US$ 66 bilhões, ou 3,4% do PIB

Depec-Bradesco*

O déficit em conta corrente chegou a US$ 3,4 bilhões em maio, de acordo com os dados divulgados hoje na nota à imprensa do setor externo, pelo Banco Central. O resultado ficou abaixo da nossa projeção (US$ 4,7 bilhões) e levou o saldo a acumular déficit de US$ 95,7 bilhões nos últimos doze meses, o equivalente a 4,39% do PIB. Embora seja modesta a queda do déficit externo observada em 12 meses (pois carrega inércia de um segundo semestre de 2014 muito ruim), quando comparamos com os dados de maio de 2014 (US$ -7,8 bilhões), esse ajuste é bastante intenso, reflexo da atividade econômica doméstica desaquecida e da depreciação cambial. Esse dado, portanto, reforça nossa projeção de forte ajuste externo já em 2015.

O déficit no mês passado foi influenciado principalmente pela conta de rendas. A conta de renda primária saiu de um saldo negativo de US$ 3,7 bilhões em abril para outro de US$ 2,7 bilhões em maio. Já o déficit na conta de serviços passou de US$ 3,5 bilhões para US$ 3,4 bilhões. A nossa surpresa se concentrou nas rubricas i) lucros e dividendos, cujo déficit passou de US$ 2,1 bilhões para US$ 1,5 bilhão, e ii) transportes, cujo déficit atingiu US$ 489 milhões. Ademais, vale reforçar que as despesas com viagens internacionais saíram de US$ 1,2 bilhão para US$ 1,0 bilhão no mesmo período. Nesse sentido, as viagens internacionais e as remessas de lucros e dividendos continuam favorecendo o ajuste da conta corrente neste ano.

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O Investimento Direto no País (IDP) registrou entrada líquida de US$ 6,6 bilhões no mês passado, comparado à entra de US$ 5,8 bilhões em abril. O resultado ficou acima da nossa expectativa de US$ 4,3 bilhões. Com isso, nos últimos doze meses acumulou entrada de US$ 86,1 bilhões, o equivalente a 3,89% do PIB. As entradas de renda fixa e de ações, por sua vez, foram positivas em US$ 1,1 bilhão e US$ 2,1 bilhões, respectivamente. Isso demonstra que realmente os fluxos de capitais estrangeiros para o Brasil continuam robustos, apesar da forte volatilidade dos mercados domésticos neste ano.

A taxa de rolagem da dívida externa ficou em 68% em maio. Esse patamar mais baixo, porém, nos parece pontual, já que a reabertura do mercado de captações externas para as empresas brasileiras e as emissões já realizadas em junho sugerem melhora à frente. Assim, continuamos vislumbrando condições razoáveis para o financiamento externo das empresas brasileiras.

Mantemos nossa perspectiva de forte redução do déficit em conta corrente em 2015 para US$ 66 bilhões (o que equivale a 3,4% do PIB, considerando a nova série do PIB e a nova metodologia do balanço de pagamentos), sucedendo déficit de US$ 104 bilhões em 2014 (4,4% do PIB). Adicionalmente, o IDP deve somar US$ 70 bilhões, ante US$ 96,9 bilhões no ano passado.

* Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco.

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