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21/07/2017 15:30 por Redação

Ajuste das contas externas seguiu em curso em junho, com IED elevado

Déficit externo em 2017 deverá ficar em 0,35% do PIB, sendo facilmente financiado pelos ingressos de investimento direto no país

Depec-Bradesco*

As contas externas registraram forte superávit em junho, indicando que o ajuste das contas externas seguiu em curso, acumulando déficit equivalente a 0,76% do PIB nos últimos doze meses. O ingresso de Investimento Direto no País (IDP) surpreendeu de forma positiva, ainda que tenha sido menor que o registrado nos meses anteriores. Em doze meses, o montante recebido de IDP é significativamente superior ao déficit em conta corrente, o que implica a necessidade de financiamento externo negativa em US$ 62,6 bilhões.

O saldo em transações correntes foi superavitário em US$ 1,3 bilhão em junho, segundo os dados divulgados hoje pelo Banco Central. O resultado ficou em linha com nossa projeção e com a mediana das expectativas do mercado (ambas de US$ 1,4 bilhão). Nos últimos doze meses, o déficit acumulado foi de US$ 14,3 bilhões, o equivalente a 0,76% do PIB.

Leia: Transações correntes têm superávit pelo quarto mês seguido em junho.

Na conta corrente, destacamos mais uma vez o forte superávit da balança comercial, de US$ 7,0 bilhões, em linha com os dados divulgados anteriormente pelo Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços. Mais uma vez, esse saldo bastante positivo foi impulsionado pelo avanço das exportações. Para julho, as informações semanais já conhecidas apontam para a manutenção dessa tendência de fortes superávits. O déficit em serviços atingiu US$ 3,2 bilhões, ante saldo negativo de US$ 3,6 bilhões registrado no mesmo período do ano anterior. Já o déficit de renda primária, de US$ 2,6 bilhões, ficou um pouco abaixo do patamar registrado em junho de 2016 (US$ 2,9 bilhões).

Na conta financeira, os Investimentos Diretos no País registraram entrada líquida de US$ 4,0 bilhões, superando a nossa projeção e a mediana das expectativas do mercado, de US$ 2,0 bilhões e US$ 2,5 bilhões respectivamente. Com isso, o saldo positivo acumulado nos últimos dozes meses somou US$ 80,6 bilhões. Por outro lado, houve saídas liquidas em ações, de US$ 882 milhões, e em renda fixa de US$ 1,8 bilhão.

A taxa de rolagem caiu para 72% em junho ante 149% no mês anterior. No entanto, os dados preliminares de julho indicam uma melhora desse indicador (96%). No acumulado do ano, a taxa média foi de 93%, superior à observada no mesmo período do ano passado, quando havia ficado em 64%, reforçando a tendência de melhora das condições de funding da economia brasileira neste ano.

Dessa forma, os resultados de junho reforçam nossa expectativa de continuidade do ajuste externo. Dado que a recuperação da atividade vem se mostrando bastante gradual, acreditamos que o ajuste do déficit externo também persistirá por mais algum tempo. Além disso, os saldos positivos da balança comercial seguirão contribuindo de forma positiva para o resultado das transações correntes. Ainda que as importações se recuperem, as exportações têm se mostrado bastante fortes, o que deve compensar tal efeito. Assim, o déficit externo em 2017 deverá ficar em torno de US$ 7 bilhões (0,35% do PIB), sendo facilmente financiado pelos ingressos de Investimento Direto no País.

* Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco.

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