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21/06/2019 09:50 por Advillage

"Paris, capital anti-Bolsonaro" é o título de reportagem no Le Monde

Principal jornal francês traz matéria sobre a mobilização, na França, de associações, intelectuais e artistas contra o atual governo brasileiro

O jornal Le Monde desta sexta-feira (21) publica uma matéria sobre a mobilização, na França, de associações, intelectuais e artistas contra o atual governo brasileiro.

"Paris, capital anti-Bolsonaro" é o título do texto assinado pelo jornalista Nicolas Bourcier, relata a Rádio França Internacional. Na matéria, que traz uma foto de Chico Buarque, o Le Monde lembra que a mobilização em prol da democracia brasileira teve início em 2016, na primeira manifestação contra a destituição de Dilma Rousseff, diante da embaixada do Brasil em Paris.

Entrevistada pelo jornal, a historiadora e professora Anaïs Flechet, da Universidade de Versalhes, assinala que as relações entre a França e o Brasil são antigas, com picos durante os anos 1960 e 1970, quando a França acolheu exilados brasileiros, ou durante os anos Lula, quando as relações entre Paris e Brasília se estreitaram. Mas, a partir de 2016, diz a especialista em estudos brasileiros, "sentimos que pessoas que eram pouco politizadas tomaram, subitamente, consciência que o país entrava em uma fase perigosa e que era preciso agir".

O movimento teve sequência com a criação do coletivo Solidariedade França Brasil e com o Movimento Democrático do 18 de Março, o MD18, criado por intelectuais, professores e artistas. Le Monde também lembra a atuação da Arbre - Associação pela Pesquisa sobre o Brasil na Europa - e a Autres Brésils, associação dinâmica e influente, criada em 2003.

A condenação e prisão de Lula, o assassinato da vereadora Marielle Franco, o incêndio do Museu Nacional do Rio e a ascensão de Jair Bolsonaro nas pesquisas de intenção de voto, em 2018, intensificaram os movimentos e os debates na França sobre o futuro da democracia brasileira. Desde então, ressalta o diário, ciclos de debates são realizados na Casa da América Latina e no Instituto de Altos Estudos da América Latina em Paris.

Tribunas foram publicadas pelos jornais Le Monde, Libération e L'Humanité. Um manifesto contra Bolsonaro chegou a ser assinado por personalidades políticas de vários partidos, "com exceção da Reunião Nacional", legenda da extrema direita, ressalta a matéria. 

Depois da eleição de Bolsonaro, uma plataforma de troca de ideias e informações também foi lançada na França, a Rede Europeia pela Democracia do Brasil (red), ligada ao site americano US Network for Democracy in Brazil, criado em Nova York pelo brasilianista norte-americano James Green. Em paralelo, por uma iniciativa da Red e diversas ONGs, foi aprovada pela prefeitura de Paris a criação de um jardim público que levará o nome de Marielle Franco, vereadora carioca de esquerda que foi assassinada em março do ano passado em circunstâncias até hoje não esclarecidas.

Leitura de cartas para Lula

A reportagem do Le Monde também fala da expectativa para o próximo 25 de junho, quando ministros do Supremo Tribunal Federal deverão analisar um novo recurso da defesa do ex-presidente Lula, que pede sua libertação. No mesmo dia, cerca de 50 artistas e intelectuais brasileiros e franceses lerão, no Teatro Monfort, em Paris, cartas escritas ao ex-presidente desde sua prisão. Com presença de Chico Buarque, "a noite promete e o evento já está lotado", conclui o jornal.

Leia o trecho inicial da matéria aqui (o acesso ao texto completo é exclusivo para assinantes).

Entrevista

A edição de hoje do Le Monde traz ainda uma entrevista com Chico Buarque, feita em Paris por Nicolas Bourcier e Bruno Meyerfeld. O título é “Chico Buarque: ‘Uma cultura de ódio se espalhou no Brasil’”. Veja aqui.

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