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DOCES E SALGADOS

20/09/2019 07:32 por Redação

Redes criminosas comandam desmatamento na Amazônia, diz ONG

Em relatório, a Human Rights Watch afirma que o governo brasileiro fracassa na defesa da floresta; Bolsonaro quer falar do tema na ONU

O desmatamento na Amazônia brasileira é impulsionado em grande parte por redes criminosas que usam da violência e intimidação contra aqueles que se colocam em seu caminho, enquanto o governo fracassa em proteger tanto os defensores quanto a própria floresta. Esta é uma das constatações de relatório divulgado nesta semana pela Human Rights Watch, ONG internacional sediada em Nova York.

O relatório de 169 páginas, Máfias do Ipê: como a violência e a impunidade impulsionam o desmatamento na Amazônia brasileira, examina como o desmatamento ilegal por redes criminosas e as consequentes queimadas estão relacionados a atos de violência contra defensores da floresta e ao fracasso do Estado em investigar e punir os responsáveis por esses crimes.

As redes criminosas têm a capacidade logística de coordenar a extração, o processamento e a venda de madeira em larga escala, enquanto empregam homens armados para intimidar e, em alguns casos, executar aqueles que buscam defender a floresta, constatou a Human Rights Watch.

Mais de 300 pessoas foram assassinadas durante a última década no contexto de conflitos pelo uso da terra e de recursos naturais na Amazônia – muitas delas por pessoas envolvidas na extração ilegal de madeira – de acordo com os dados compilados pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), e utilizados pela Procuradoria-Geral da República.

A entidade examinou 28 assassinatos, a maioria a partir de 2015 – além de quatro tentativas de assassinato e mais de 40 casos de ameaças de morte – nos quais havia evidências críveis de que os responsáveis por esses crimes estavam envolvidos no desmatamento ilegal e viam suas vítimas como obstáculos as suas atividades criminosas. Algumas vítimas eram agentes públicos. A maioria era indígenas ou outros moradores que denunciaram a exploração ilegal de madeira às autoridades.

A ONG entrevistou cerca de 170 pessoas, incluindo 60 membros de povos indígenas e outros moradores dos estados do Maranhão, Pará e Rondônia. Os pesquisadores também entrevistaram dezenas de servidores públicos em Brasília e na região amazônica, incluindo muitos que forneceram uma visão de dentro do governo sobre como as políticas do presidente Bolsonaro estão prejudicando a fiscalização ambiental.

Durante seu primeiro ano no cargo, Bolsonaro retrocedeu na aplicação das leis de proteção ambiental, enfraqueceu as agências federais responsáveis, além de atacar organizações e indivíduos que trabalham para preservar a floresta, diz o documento.

Em 2016, o Brasil se comprometeu a dar fim ao desmatamento ilegal na Amazônia até 2030. Na próxima segunda-feira, ONU realizará uma cúpula em Nova York para discutir os esforços globais voltados a mitigar as mudanças climáticas. Após a publicação de notícias dando conta de que o Brasil não participaria da cúpula, o Itamaraty alegou que o país não planejava discursar no evento.

Bolsonaro na ONU

O governo brasileiro confirmou que o presidente Jair Bolsonaro irá à Assembleia-Geral da ONU, na próxima semana, e fará no dia 24 o discurso de abertura do evento, uma deferência a governantes brasileiros desde a criação das Nações Unidas, em 1945.

Em sua live semanal no Facebook, às quintas-feiras, Bolsonaro disse que vai defender, em seu discurso, a política do governo na questão ambiental. Segundo ele, as queimadas na Amazônia estão abaixo da média dos últimos 15 anos e o que há é uma tentativa internacional de desgastar a imagem do Brasil. Para o mandatário, o objetivo é prejudicar o setor agrícola nacional, um dos mais competitivos do mundo. Na avaliação de Bolsonaro, existe uma pressão de outros países para que o Brasil amplie o número de reservas indígenas, quilombolas e áreas de proteção ambiental.

Bolsonaro e comitiva embarcam no dia 23 para Nova York, onde deverá enfrentar protestos de ativistas brasileiros e de outros países. No dia seguinte, o brasileiro tem encontro confirmado com o secretário-geral da ONU, António Guterres. Bolsonaro deverá regressar ao Brasil logo após seu discurso.

Avaliação médica - Na manhã de hoje (20), Bolsonaro deverá realizar exames no Hospital DF Star, em Brasília, filial do mesmo hospital que o presidente ficou internado nos últimos dias, o Vila Nova Star, na capital paulista. Ele será avaliado em seguida pelo médico Antonio Macedo, que o operou no último dia 8 para correção de uma hérnia incisional.

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