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20/04/2016 14:07 por Redação

Saldo em conta corrente ficou praticamente zerado em março

Pela metodologia clássica, déficit em transações correntes foi de US$ 55 millhões, bem inferior ao do mesmo mês de 2015

Depec-Bradesco*

As análises a seguir são baseadas nos dados do Balanço de Pagamentos segundo a metodologia clássica (BPM5), por entendermos ser essa abordagem mais relevante para o conceito de fluxo cambial, como já havíamos reforçado em publicações anteriores. Acreditamos que a atual metodologia (BPM6) causa certas distorções em algumas contas, que podem ser vistas na rubrica Investimento Estrangeiro Direto (agora chamado Investimento Direto no País), ao acrescentar as operações intercompanhia e os lucros reinvestidos.

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O saldo em transações correntes ficou ligeiramente negativo em US$ 55 milhões em março, de acordo com os dados divulgados hoje pelo Banco Central. O déficit foi bastante inferior ao observado no mesmo período do ano passado, quando atingiu US$ 5,2 bilhões, reforçando, mais uma vez, o ajuste do setor externo em curso desde o ano passado. Nos últimos doze meses, a conta corrente acumulou saldo negativo de US$  27,5 bilhões, o equivalente a 1,6% do PIB.

A balança comercial contribuiu, mais uma vez, de forma positiva para o resultado do período, com forte superávit de US$ 4,4 bilhões. Em contrapartida, as contas de serviços e de rendas mantiveram sua trajetória negativa, ao registrarem déficits de US$ 2,9 bilhões e US$ 1,8 bilhão, respectivamente.

O Investimento Estrangeiro Direto (IED) registrou entrada líquida de US$ 3,4 bilhões, segundo a metodologia clássica, sucedendo um saldo positivo de US$ 4,7 bilhões em janeiro. Com isso, acumulou, em doze meses, entrada de US$ 64,5 bilhões, que correspondem a 3,7 % do PIB.

Já os investimentos em carteira reverteram apenas parcialmente o saldo negativo de US$ 3,3 bilhões observado em fevereiro, ao apresentar superávit de US$ 61 milhões, impulsionado pela entrada líquida de US$ 2,0 bilhões em ações. Já os títulos de renda fixa registraram déficit de US$ 1,9 bilhão no período. 

A taxa de rolagem, por sua vez, apresentou redução de 55% para 29% entre fevereiro e março, continuando, assim, abaixo da média dos últimos anos. Dessa forma, sugere alguma piora no financiamento externo das empresas.

Dada a continuidade do intenso ajuste em curso nas contas externas, mantemos nossa perspectiva de redução do déficit em conta corrente neste ano. Acreditamos que, dada a magnitude dos últimos resultados, o saldo possa ficar mais próximo de zero do que consideramos atualmente no nosso cenário. Em termos de BPM5 (conceito clássico), projetamos, por ora, déficit externo de US$ 8,1 bilhões (equivalente a 0,5% do PIB) para 2016, bem como entrada líquida de Investimento Estrangeiro Direto (IED) de US$ 50 bilhões. Vale destacar que nas últimas leituras, também fomos surpreendidos positivamente com maior ingresso de IED, o que pode nos levar a revisar para cima o nosso número.

* Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco.

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