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20/04/2016 12:27 por Redação

Mercado de trabalho deve continuar perdendo força este ano

Taxa de desemprego pode chegar ao final de 2016 com média de 11,8%

Depec-Bradesco*

Conforme já enfatizamos em publicações anteriores, a Pesquisa Mensal de Emprego (PME) foi inteiramente substituída pela Pnad Contínua neste mês. A principal diferença entre as pesquisas consiste na abrangência territorial, visto que a Pnad Contínua contempla todas as regiões do País, enquanto a PME atinge apenas seis regiões metropolitanas. Além disso, os dados mensais da Pnad Contínua são divulgados em termos de média móvel trimestral, sempre finda no mês de referência. Essas divergências são responsáveis, em grande medida, pela diferença de nível entre os dados das duas pesquisas. Apesar dessas vantagens da Pnad Contínua em relação à PME, a primeira apresenta um histórico bem menor que a segunda, pois teve início apenas em  março de 2012, dificultando análises de longo prazo.

Leia: PNAD Contínua: desemprego subiu para 10,2% no trimestre encerrado em fevereiro.

A taxa de desemprego nacional alcançou 10,2% no trimestre findo em fevereiro, de acordo com os dados divulgados hoje pelo IBGE. O resultado ficou em linha com a nossa projeção e com a mediana das expectativas do mercado (ambas em 10,1%), segundo coleta da Agência Estado. Feitos os ajustes sazonais, a taxa de desocupação ficou estável em 9,9% entre janeiro e o segundo mês deste ano. Na comparação com igual período de 2015, houve alta de 2,8 pontos percentuais.

A população ocupada intensificou a trajetória de queda observada nos últimos meses, ao recuar 1,3% na comparação interanual. Já a População Economicamente Ativa (PEA) manteve o mesmo ritmo de alta registrado em janeiro, crescendo 1,8% em relação ao mesmo período do ano passado. Vale destacar que, diferentemente do apresentado pela PME, a série da PEA na Pnad Contínua vem mostrando crescimento persistente desde o início do ano passado, com aceleração no segundo semestre.

O rendimento médio nominal total ampliou a desaceleração em fevereiro, ao avançar 6,4% ante o mesmo mês de 2015, abaixo dos 8,0% verificados nos três trimestres anteriores. Com isso, o rendimento médio real atingiu R$ 1.934,00 no período, o equivalente a uma retração interanual de 3,9%. A menor alta do rendimento nominal reforça nossa perspectiva de continuidade de desaceleração da inflação à frente, por contribuir, principalmente, para elevações menos intensas dos preços de serviços.

Esperamos continuidade do enfraquecimento do mercado de trabalho neste ano, ainda que em menor magnitude que a observada em 2015, como já sugerido pela desaceleração no ritmo de redução de vagas formais em janeiro. Dessa forma, projetamos que a taxa de desemprego alcance, em  média, 11,8% (o que corresponderia a uma taxa de 10,2% na PME).

* Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco.

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