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DOCES E SALGADOS

18/05/2017 07:19 por Redação

Notícia de conversa gravada com Temer sacode Brasília

Presidente confirma reunião com dono da JBS, mas nega aval a "compra do silêncio" de Eduardo Cunha; palavras "impeachment" e "renúncia" tomam a capital

A notícia publicada pelo colunista Lauro Jardim no site do jornal O Globo, no começo da noite desta quarta-feira (17), provocou um terremoto político em Brasília. Segundo a nota, o empresário Joesley Batista, um dos donos do frigorífico JBS, afirmou à Procuradoria-Geral da República (PGR) que o presidente Michel Temer (PMDB) deu aval à compra do silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB) e do operador Lúcio Funaro, ambos presos na Operação Lava Jato.

O empresário teria gravado uma conversa com Temer no início de março deste ano,.com um gravador escondido no bolso. Segundo o jornal, Joesley disse ter contado ao presidente que estava pagando a Cunha e Funaro para ficarem calados. Temer, segundo o empresário, respondeu: "Tem que manter isso, viu?"

As informações teriam sido fornecidas por Joesley à PGR em abril, no âmbito de uma delação que ainda não teria sido homologada pelo Supremo Tribunal Federal. No dia 10 de abril o conteúdo da do depoimento teria sido comunicado ao ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no STF.

Na conversa gravada, Temer indica o deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) para resolver “assuntos da J&F”, holding que controla a JBS, no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Rocha Loures já foi chefe de Relações Institucionais da Presidência, quando Temer era vice-presidente. Depois do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, ele se tornou assessor especial da presidência.

A reportagem do Globo relata que Joesley Batista marcou um encontro com Rocha Loures em Brasília e falou de suas pendências no Cade. Pela ajuda, o empresário ofereceu propina de 5% e Rocha Lores concordou. As negociações teriam continuado em outra reunião, entre Rocha Loures e Ricardo Saud, diretor da JBS. Foi combinado o pagamento de R$ 500 mil semanais por 20 anos, o que somaria R$ 480 milhões ao longo de duas décadas. Posteriormente, Rocha Lourdes foi filmado recebendo uma mala com R$ 500 mil, enviados por Joesley.

Todas as etapas dessa narrativa seriam do conhecimento da PGR teriam sido monitoradas pela Polícia Federal. Segundo o jornal, pela primeira vez a PF fez "ações controladas" para obter provas. Os diálogos e as entregas de dinheiro foram filmadas e as cédulas tinham os númjeros de série controlados. As bolsas onde foram entregues as quantias tinham chips de rastreamento.

Segundo o portal G1, a TV Globo apurou que participantes da investigação confirmaram que tudo que O Globo publicou é verdade.

A Coluna do Estadão, seção política do jornal O Estado de S. Paulo, traz notinha hoje (18) afirmando que “sobre o que foi divulgado até agora da delação de Joesley Batista, investigadores dizem que há ‘muito recheio’ que ainda não veio a público”.

Nota da presidência

Por volta das 21h30 desta quarta, a Secretaria de Comunicação da Presidência da República divulgou esta nota:

“O presidente Michel Temer jamais solicitou pagamentos para obter o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha. Não participou e nem autorizou qualquer movimento com o objetivo de evitar delação ou colaboração com a Justiça pelo ex-parlamentar.

O encontro com o empresário Joesley Batista ocorreu no começo de março, no Palácio do Jaburu, mas não houve no diálogo nada que comprometesse a conduta do presidente da República.

O presidente defende ampla e profunda investigação para apurar todas as denúncias veiculadas pela imprensa, com a responsabilização dos eventuais envolvidos em quaisquer ilícitos que venham a ser comprovados.”

Reações

O senador Romero Jucá (RR), presidente do PMDB e líder do governo no Senado, evitou se alongar sobre o assunto. Afirmou que seria “prematuro” fazer qualquer comentário e que a denúncia de Joesley Batista é “mais uma entre tantas”. Jucá disse que as denúncias contra Temer não afetarão o andamento, no Congresso, das discussões e votações das reformas propostas pelo governo.

Na oposição, as reações foram bem mais fortes. O deputado Alessandro Molon (Rede-RJ) já protocolou, na noite desta quarta-feira, na Câmara, um novo pedido de impeachment de Michel Temer por crime de responsabilidade. Na Câmara, já existe outro pedido de impeachment desde abril do ano passado, aberto por ordem do ministro Marco Aurélio Mello, do STF. Desde então, a comissão especial que analisará esse primeiro pedido ainda não foi instalada na Casa, lembra o Estadão.

Além do impeachment, a oposição também cobra a renúncia imediata de Temer. Segundo o deputado José Guimarães (PT-CE), outra estratégia dos opositores será tentar paralisar o funcionamento do Congresso até a convocação de eleições diretas para presidente da República. 

Por volta das 21h, cerca de 50 manifestantes se reuniram em frente ao Palácio do Planalto e promoveram um buzinaçõ  para protestar contra o presidente. A Polícia Militar reforçou a segurança no local. Em São Paulo, um grupo de manifestantes ocupou um trecho da avenida Paulista pedindo a renúncia de Temer e a realização de “diretas já”.

Leia mais: Imprensa internacional repercute gravação com Michel Temer.

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