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18/04/2017 11:25 por Redação

Ritmo mais forte de corte dos juros depende da atividade econômica e da inflação

Ata do Copom permite aguardar novo corte de 1 p.p. da taxa Selic na próxima reunião, mantido o cenário atual

Depec-Bradesco*

A ata da reunião de política monetária do Banco Central (BC), divulgada hoje, teve como destaque a discussão de uma provável intensificação do ritmo de corte de juros em relação ao apresentado na última decisão do Copom. Se por um lado o cenário atual, na visão do BC, já era compatível com uma redução da taxa Selic maior do que 1 p.p., decidida na última reunião, por outro, o balanço de riscos, que permanece relevante, corroborou a decisão do Copom em manter definir o ritmo de 100bps e reduzir a taxa de juros de 12,25% para 11,25%. Além disso, o BC reafirmou que a extensão do ciclo de flexibilização está condicionada à evolução das estimativas de juro neutro da economia e que a alteração do ritmo de corte dependerá do comportamento da atividade econômica, dos fatores de risco e das projeções e estimativas de inflação.

Leia: Copom sinaliza que juros podem cair para 8,5% ao ano.

O Copom avaliou que as perspectivas para a inflação se comportaram de maneira favorável desde a reunião realizada em fevereiro. De fato, a desinflação se mostrou mais espraiada, inclusive com a consolidação nos componentes mais sensíveis à política monetária e à atividade econômica. O BC também reconheceu que a desaceleração da alta dos preços de alimentos poderá ter efeitos secundários na inflação. Além disso, as expectativas de inflação para 2017 seguiram em queda e permaneceram em torno de 4,5% para 2018. Ademais, considerando as estimativas de taxas de câmbio e de juros contidas na pesquisa Focus (câmbio em R$/US$ 3,23 e R$/US$ 3,37 para este ano e para o próximo, respectivamente, e Selic em 8,50% no período), a projeção de inflação para 2017 ficou em torno de 4,1% e manteve-se próxima a 4,5% para 2018.

O BC reduziu o senso de urgência de corte da Selic por conta do desempenho da atividade econômica, ao sinalizar que a economia mostra sinais de estabilização. Além disso, diferentemente dos documentos anteriores, nos quais o Copom destacava que a recuperação da atividade poderá ser mais gradual que a esperada anteriormente, a ata colocou a possibilidade de que a retomada também poderá ocorrer de forma menos lenta que a antecipada.

As incertezas em torno do cenário internacional e da política fiscal permanecem como fatores de risco para a condução da política monetária. Em relação ao cenário local, o BC manteve sua avaliação de importância da aprovação e implementação de reformas, em especial da reforma da previdência. Também destacou que os ajustes nas políticas creditícia e parafiscal são fundamentais para a continuidade da desinflação. No âmbito externo, as incertezas provêm das possíveis mudanças da política monetária nos EUA, da sustentabilidade dos preços de commodities e da evolução da economia chinesa. Em nossa avaliação, os riscos provenientes do cenário internacional parecem, por ora, controlados, visto que os últimos dados apontam para crescimento sustentado da economia chinesa e elevação menor que a prevista do PIB norte-americano no primeiro trimestre.

Esperamos novo corte de 1 p.p. da taxa Selic na próxima reunião, mantido o cenário atual. Ressaltamos que, caso haja alguma frustração com o desempenho da economia nos próximos meses, juntamente com maior desaceleração da inflação, a velocidade de queda da taxa de juros poderá se acelerar nas reuniões posteriores. Para o final de 2017, esperamos que a taxa Selic atinja 8,5%.

* Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco.

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