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17/07/2019 09:23 por Redação

ICOMEX: Valor das exportações recuou 10,4% e das importações 9,1% entre junho de 2018 e 2019

Queda nos valores exportados e importados é explicada pelo recuo nos índices de preços e volume desses fluxos

ICOMEX (Comércio Exterior - FGV)*

O saldo da balança comercial de junho foi de US$ 5 bilhões, o que levou a um superávit acumulado no ano de US$ 26 bilhões. Em valor as exportações recuaram 10,4% e as importações 9,1%, na comparação entre os meses de junho de 2018 e 2019. Na comparação do acumulado do ano até junho entre 2018 e 2019, as exportações caíram 3,5% e as importações ficaram estagnadas. O superávit no primeiro semestre de 2019 foi de US$ 26 bilhões, quatro bilhões menor do que o de 2018, e a corrente de comércio caiu 2% na comparação dos semestres de 2018 e 2019.

A queda nos valores exportados e importados na comparação mensal foi explicada pelo recuo nos índices de preços e volume desses fluxos. Na comparação entre os primeiros semestres de 2018 e 2019, porém, o volume exportado cresceu (2%) liderado pelas commodities (7,5%), enquanto a variação nos preços foi negativa para as commodities. A análise por setor mostra que a liderança no crescimento do volume exportado seja na comparação mensal ou semestral coube à indústria extrativa.

No caso das importações, a comparação entre os primeiros semestres, registrou aumento no volume de 2,5% e queda nos preços com igual percentual, o que explica o valor não ter variado entre os semestres. A análise por setor registrou recuo nos volumes na comparação mensal o que pode estar associado a uma desaceleração no ritmo de atividade. Na comparação dos semestres, os volumes importados por todos os setores aumentam, sendo a liderança da indústria extrativa.

O desempenho desfavorável em junho das exportações se repetiu nos principais mercados de destino das exportações brasileiras. A queda no mercado argentino tem sido uma constante explicada pela crise econômica do país. Na China, a queda em junho repete o comportamento do mês anterior e os Estados Unidos, após o aumento de maio liderado pelas exportações de óleo bruto de petróleo e semimanufaturados, registrou recuo de 12%.

Com o objetivo de esclarecer esses resultados, o ICOMEX passará a divulgar os índices de preços e volume das exportações e importações para os principais parceiros comerciais do Brasil. Na seção “Destaque do mês”, após a análise dos índices, é apresentado os resultados para a China e os Estados Unidos. No próximo ICOMEX iremos divulgar os índices para a União Europeia. O anúncio do término das negociações do Acordo Mercosul-União Europeia, em 28 de junho, levou a que priorizássemos esse mercado antes da análise do mercado argentino.

Análise dos índices agregados

Os volumes exportados e importados caíram 5,8% e 3,7% entre junho de 2018 e 2019. Na comparação do acumulado até junho, porém, os volumes crescem em 2% para as exportações e 2,5% para as importações. No caso dos preços, seja na comparação mensal ou do acumulado do ano, os preços recuam para as exportações e para as importações.

Dada a influência das commodities que explicam cerca de 60% das exportações brasileiras. Na comparação mensal caiu o volume das commodities (0,1%) e das não commodities em 14,2%. Entre os primeiros semestres de 2018 e 2019, porém, o volume exportado das commodities aumentou (7,5%) e o das não commodities recuou (5,8%). Como nos anos anteriores, o comportamento das exportações continua dependente do desempenho das commodities.

No caso dos preços, o resultado seja na comparação mensal ou no acumulado até junho registrou queda. Observa-se que na comparação mensal, a queda nos preços foi puxada pelos produtos agrícolas e petróleo, pois o minério de ferro (segundo principal produto exportado) registrou aumento de 53%. Igual resultado é verificado na comparação dos primeiros semestres.

Os termos de troca apresentaram uma tendência de queda ao logo de 2018 que foi revertida a partir de fevereiro de 2019, com o aumento nos preços de exportações até maio. Em junho, o preço das exportações (-1,3%) caiu, porém menos do que o das importações (-2,7%), o que levou a uma melhora nos termos de troca (1,4%). Na comparação entre os meses de junho de 2018 e 2019, os termos de troca registraram aumento de apenas 0,4% e na comparação dos semestres caiu em 2,7%. Não há, portanto, variações acentuadas de ganhos ou perdas com os termos de troca.

Os índices de preços e volume agregados e por tipo de indústria

Após registrar aumento no volume exportado e importado em abril e maio em relação a igual período do ano anterior, as exportações e as importações da indústria de transformação recuaram 7,4% e 4,2%, respectivamente, no mês de junho. As exportações da agropecuária caem desde março e da extrativa só recuou no mês de maio.

Ressalta-se, porém, que nos dois primeiros meses do ano, tanto a agropecuária como a extrativa registraram variações acima de 2 dígitos em relação a períodos iguais de 2018. O volume exportado da agropecuária cresceu 61% entre os meses de fevereiro e o da extrativa, 36%, nesse mesmo período. Há, portanto uma desaceleração no ritmo das exportações que se associa a um menor crescimento da China e do comércio mundial em 2019.

No acumulado do ano até junho, todos os volumes aumentam em relação a igual período de 2018, exceto as exportações da indústria de transformação, queda de 1,8%. Além disso, a variação de 15,1% do volume exportado pela indústria extrativa em relação a agropecuária (3,5%) confirma a liderança da primeira, graças as vendas de petróleo bruto e, em segundo lugar, minério de ferro.

O mercado interno aponta para um crescimento abaixo de 2%, o que não ajuda a indústria de transformação. Além disso, o mercado externo das manufaturas brasileiras está associado a uma Argentina em crise ou sofre com a concorrência dos países asiáticos nos setores de baixa a média tecnologia.

Os índices de volume por categoria de uso da indústria de transformação mostram queda na comparação mensal e semestral, exceto para bens de consumo não duráveis, bens de consumo semiduráveis (semestre) e bens intermediários (semestre). Chama atenção a queda nas exportações de bens de capital e bens de consumo não duráveis (automóveis). Em junho os bens de capital decresceram 35,9% e os duráveis de consumo, 10,6%. Na comparação dos semestres, porém, a maior queda são a dos bens duráveis, 27,7% em relação aos bens de capital, 15,5%. Esses resultados confirmam que as exportações brasileiras não apresentam bom desempenho em produtos de maior valor agregado, como bens de capital e bens duráveis de consumo.

Ressalta-se que no mês de junho não foi registrada exportações de plataformas de petróleo.

No mês de junho há uma diferença de 1 ponto percentual se considerarmos as importações de bens de capital com (15,8%) e sem plataforma de petróleo (14,8%). No entanto, dado o tamanho dessa diferença ser pequeno, quando calculamos a variação no volume importado da indústria de transformação como um todo, a queda fica igual em 4,2%, com ou sem plataforma. No entanto, na comparação dos primeiros semestres de 2018 e 2019 a inclusão ou não da plataforma faz diferença: 2,3% (com) e 3,3% (sem).

As importações de bens de consumo duráveis, não duráveis e semiduráveis recuam na comparação mensal e do acumulado até junho. Variações positivas, em ambos os períodos de comparação, apenas ocorrem nos volumes importados de bens de capital. As compras de bens intermediários recuaram em junho (3,6%) o que reflete possível desaceleração da indústria e crescem 2,8% na comparação dos semestres, o que sugere fraca recuperação da indústria.

Por último, a taxa de câmbio real efetiva mostrou uma leve reversão na tendência à desvalorização no mês de junho. Se antes a desvalorização era, em parte, explicada pelas incertezas quanto ao encaminhamento das reformas, o resultado de junho reflete mudança dessa percepção. 

Destaque do mês

Apresentamos os índices de comércio exterior para a China e os Estados Unidos. No próximo ICOMEX iremos apresentar os dados para a União Europeia.

Observa-se que o aumento da participação da China nas exportações brasileiras (passou de 4,2% para 26,6% entre 2002 e 2018) é explicado principalmente pela expansão do volume de comércio, pois apenas entre 2002/08, o crescimento dos preços superou o do volume, mesmo assim com uma diferença ao redor de 4 pontos de percentagem. Já os Estados Unidos, registrou uma queda de 25,4% para 12% e experimentou quedas no volume exportado, exceto na comparação entre os primeiros semestres de 2018 e 2019. Nesse último período, as exportações para o mercado estadunidense cresceram 22,2% enquanto da China, 2,1%. Exportações do mercado aeronáutico (aviões, peças para aviões), petróleo e produtos siderúrgicos explicam o desempenho favorável nos Estados Unidos.

Na comparação dos meses de junho, chamamos atenção que o valor exportado caiu 4,1% para a China e 12,2% para os Estados Unidos. No caso da China, a queda foi maior no volume (3,7%) do que nos preços (1,9%). Nos Estados Unidos, o recuo no valor está principalmente associado ao decréscimo nos preços (10,6%) do que no volume que caiu 1,6%.

Na pauta de importações, a participação da China passou de 3,3% para 19,2% e a dos Estados Unidos de 21,8% para 16% entre 2002 e 2018. O crescimento médio anual das importações, oriundas da China superaram em todos os períodos as provenientes dos Estados Unidos. Em termos de preços, as diferenças foram favoráveis para a China (menor preço que os Estados Unidos) a partir de 2012, o que sugere pesquisas mais detalhadas sobre a concorrência chinesa via preços.

Na comparação mensal, o volume importado da China aumentou (2,5%) e dos Estados Unidos recuou (8,3%) e os preços caem na China (4,8%) e aumentam nos Estados Unidos (2,7%).

A pauta bilateral com a China dominada pelas exportações de commodities explica a maior volatilidade nos termos de troca que se elevaram até dezembro de 2011 e chegam ao seu menor valor em abril de 2016, quando voltam a se recuperar, mas muito distante dos valores de pico do boom das commodities. Em contraste, os termos de troca com os Estados Unidos tendem a uma relativa estabilidade ao longo de todo o período.

Acesse a versão com gráficos e tabelas aqui.

* ICOMEX é o indicador da balança comercial elaborado mensalmente pela FGV.

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