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17/01/2020 10:58 por Advillage

Roberto Alvim é demitido da Secretaria Especial de Cultura de Bolsonaro

Exoneração ocorre após forte repercussão de pronunciamento em que Alvim praticamente repete discurso do ideólogo nazista Joseph Goebbels

O governo decidiu demitir o secretário especial de Cultura, Roberto Alvim. Sua saída foi confirmada à Folha pela assessoria de imprensa da própria secretaria.

Na manhã desta sexta (17), o Palácio do Planalto havia avisado lideranças do Congresso sobre a demissão, que ocorre após a forte repercussão negativa de um vídeo publicado nas redes sociais em que Alvim, em tom de pronunciamento oficial, parafraseia um discurso de Joseph Goebbels, ministro da Propaganda da Alemanha nazista.

Trecho de discurso de Alvim: “A arte brasileira da próxima década será heroica e será nacional. Será dotada de grande capacidade de envolvimento emocional e será igualmente imperativa, posto que profundamente vinculada às aspirações urgentes de nosso povo, ou então não será nada”.

Trecho de discurso de Goebbels: "A arte alemã da próxima década será heroica, será ferreamente romântica, será objetiva. e livre de sentimentalismo, será nacional com grande páthos e igualmente imperativa e vinculante, ou então não será nada".

Assista ao vídeo aqui.

Entre os que pediram a saída do secretário estão os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-A?P). Segundo a Folha, o ministro da Secretaria de Governo, general Luiz Ramos, avisou os líderes do Congresso que o anúncio da demissão caberá ao porta-voz da Presidência, general Rego Barros.

Bastidores - O discurso de inspiração nazista de Roberto Alvim trouxe preocupação para a área econômica na véspera da abertura do Fórum Econômico Mundial, assinala o Estadão. O risco de uma repercussão internacional de repúdio ao posicionamento do secretário contaminar a imagem do Brasil nos debates do fórum acendeu o alerta no radar de assessores da área econômica. 

Na ausência do presidente Jair Bolsonaro, que cancelou a ida à Suíça, o principal ator brasileiro em Davos será o ministro da Economia, Paulo Guedes. Ele terá o desafio de "vender" o Brasil como um bom destino para investimentos estrangeiros. A polêmica agenda ambiental brasileira, que já é um tema espinhoso para a missão do governo no fórum, ganhou agora a inacreditável “contribuição” de Alvim.

Cresceu no governo - Nome ligado à cena teatral brasileira, Roberto Alvim chegou ao governo em junho de 2019, como diretor do Centro de Artes Cênicas da Fundação Nacional de Artes (Funarte). Em novembro, foi convidado por Bolsonaro para assumir a secretaria Especial da Cultura.

Durante sua passagem pelo governo, ele foi acusado de censura a algumas manifestações artísticas. Também sofreu desgaste com a indicação do jornalista Sérgio Nascimento de Camargo para a presidência da Fundação Cultural Palmares, no fim do ano passado.

A polêmica mais intensa em que se envolveu, antes do vídeo insuperável, foi um episódio em que chamou a atriz Fernanda Montenegro de mentirosa, depois que a atriz criticou a política cultural do governo Bolsonaro e fez um ensaio fotográfico no centro de uma fogueira de livros.

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