Home > DOCES E SALGADOS > UE está pronta para recorrer à OMC contra acordo China-EUA

DOCES E SALGADOS

17/01/2020 08:21 por Redação

UE está pronta para recorrer à OMC contra acordo China-EUA

Embaixador da União Europeia em Pequim diz que bloco avalia se trégua entre as duas potências pode levar a distorções comerciais

A União Europeia irá recorrer à Organização Mundial do Comércio se o acordo comercial entre a China e os Estados Unidos for contra seus interesses, alertou nesta sexta-feira (17) o embaixador da UE em Pequim, Nicolas Chapuis.

Nos termos da trégua assinada na quarta-feira (15), em Washington, o gigante asiático prometeu aumentar suas importações de produtos americanos em US$ 200 bilhões em comparação a 2017. Esta disposição preocupa Bruxelas, que teme que as empresas europeias sejam penalizadas no mercado chinês contra seus concorrentes americanos.

Leia: Confira o que há de novo no acordo EUA-China, assinado nesta quarta-feira.

"Os objetivos quantitativos (para compras chinesas de mercadorias americanas) não são compatíveis com a OMC se levarem a distorções comerciais", ressaltou Chapuis, em entrevista coletiva em Pequim. "Se for esse o caso, iremos à OMC para resolver o problema".

A atual falta de coesão da entidade pode, no entanto, reduzir o alcance da ameaça, observa a AFP: Washington bloqueia há anos as nomeações de juízes responsáveis por resolver disputas em nome da instituição de Genebra, onde os processos são lentos.

Chapuis disse que foi convidado na quinta-feira (16) a uma visita ao Ministério das Relações Exteriores da China, onde teria recebido garantias formais de que as empresas europeias não seriam afetadas pelo acordo sino-americano “de forma alguma". "Vamos monitorar sua implementação", assegurou o diplomata francês.

O representante de Bruxelas disse ainda que recebeu a garantia de que as promessas feitas por Pequim aos Estados Unidos em termos de respeito à propriedade intelectual ou abertura do setor de serviços financeiros serão estendidas a todos os parceiros da China.

Dos US$ 200 bilhões de dólares em compras chinesas nos EUA, quase US$ 80 bilhões devem ser destinados à bens manufaturados, em especial da indústria aeroespacial - uma disposição que pode irritar a Airbus frente à sua concorrente americana Boeing.

Negociação antiga

Enquanto americanos e chineses assinaram seu acordo preliminar após quase dois anos de guerra comercial, os europeus estão tentando, concluir com Pequim um acordo sobre investimentos, negociado há quase sete anos, assinala a AFP.

Existem alguns pedidos comuns aos dos Estados Unidos: respeito à propriedade intelectual, fim de transferências de tecnologia impostas a empresas estrangeiras e subsídios a empresas públicas chinesas.

"As discussões entraram em uma fase crucial", disse Nicolas Chapuis, lembrando que Pequim e Bruxelas têm a ambição de ter sucesso antes do final do ano. O projeto de acordo deverá ter destaque na cúpula China-UE, marcada para Pequim no final de março.

'
Enviando