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16/09/2019 09:15 por Redação

ICOMEX: comércio em queda no mercado dos principais parceiros com exceção dos EUA

Maioires recuos são para o mercado argentino, que vivencia um período de recessão

ICOMEX (Comércio Exterior - FGV)*|

1. A desaceleração do crescimento do comércio mundial e o baixo nível de atividade da economia brasileira contribuíram para a queda em 15% na corrente de comércio (exportações mais importações) na comparação mensal entre agosto de 2018 e 2019.

2. O recuo na corrente de comércio é explicado tanto pela queda do valor exportado (13%) como do valor importado (17%). Destaca-se que a maior queda das importações em relação às exportações explica o melhor resultado da balança comercial de agosto de 2019 (US$ 3,2 bilhões) em relação a de agosto de 2018 (US$ 2,8 bilhões).

3. Em termos de volume a queda das exportações e importações foi igual, quando se compara o mês de agosto deste ano com o de 2018 (13%), mas os preços dos bens importados registraram maior recuo do que os preços dos exportados, o que explica a maior retração do valor importado do que do exportado.

4. Na comparação do acumulado do ano até agosto, a corrente de comércio e o saldo da balança comercial recuaram. Esse último passou de US$ 37 bilhões para US$ 32 bilhões, associada a uma queda mais acentuada nas exportações (5,9%) do que nas importações (3,4%).

5. Em termos de volume, as variações na comparação do acumulado no ano mostram um recuo de 1,4% nas exportações e 0,3% nas importações. Observa-se que nesse período de comparação, o volume exportado da indústria extrativa cresceu (5,2%) e da agropecuária (1,3%). No entanto a queda de 3,8% na indústria de transformação levou ao recuo no volume total exportado.

6. Destaca-se, porém, que no mês de agosto todos os setores contribuíram para a queda no volume exportado cabendo a liderança à indústria de transformação, 16,7%. Essa queda foi liderada pelo recuo no volume das exportações de bens de capital (58,1%), seguido de bens duráveis (30,2%). No primeiro caso influenciou a presença das plataformas de petróleo. Se excluídas da comparação, o recuo cai para 20,1%, indicando que em agosto de 2018 ocorreu um maior volume de exportações de plataformas do que em 2019.

7. Logo, como será analisado no ICOMEX mais uma vez as plataformas de petróleo influenciaram os resultados. No caso das importações de bens de capital na FBCF, o volume importado caiu 43% na comparação dos meses de agosto e excluindo as plataformas passa para um aumento de 16,3%, sinalização de uma possível de melhora no investimento.

8. Não é observado um cenário de ganhos expressivos nos termos de troca (1,6% entre o trimestre de junho a agosto de 2018 e de 2019). Ao mesmo tempo, porém, ressalta-se que se, por um lado não há ganhos expressivos, por outro lado o comportamento dos preços no mercado internacional não é, no momento, um fator de risco para a estabilidade do setor externo.

9. Por último, essa edição do ICOMEX traz os volumes exportados para a Argentina, o que permitiu comparar o desempenho com os mercados já apresentados em edições anteriores. Os Estados Unidos despontam como o mercado de destino onde as exportações brasileiras mostram o melhor desempenho.

Destaque do mês

A comparação entre os 3 principais mercados de destino das exportações brasileiras mostra que somente para os Estados Unidos as variações nos volumes são positivas seja na comparação mensal ou acumulada. O resultado não muda quando incluímos a União Europeia. As maiores quedas são para o mercado argentino que vivencia um período de recessão.

No caso das importações, os dados para a Argentina serão apresentados no próximo ICOMEX. Se destaca a queda nas compras oriundas da China e da União Europeia, exceto um aumento de 0,1% na comparação mensal, e o crescimento das importações estadunidenses compras oriundas dos Estados Unidos.

Uma análise preliminar dos principais produtos exportados e importados no comércio bilateral Brasil-Estados Unidos mostra aumento no comércio de gasolina, óleo bruto de petróleo, máquinas de terraplanagem, aviões (exportações) e semimanufaturas de ferro e aço (exportações).

Acesse a versão com gráficos e tabelas aqui (em pdf).

* ICOMEX é o indicador da balança comercial elaborado mensalmente pela FGV.

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