Home > ARTIGOS > Nova queda das vendas no varejo sinaliza desaceleração da inflação à frente

ARTIGOS

16/06/2015 11:33 por Redação

Nova queda das vendas no varejo sinaliza desaceleração da inflação à frente

Levando em conta também a queda de 1,2% da produção industrial em abril, projetamos recuo de 0,3% do IBC-Br

As vendas do comércio varejista restrito recuaram na passagem de março para abril, refletindo o desempenho negativo de seis dos oito setores pesquisados. O resultado ficou em linha com as nossas estimativas e marcou a terceira queda consecutiva na margem do indicador. Em termos nominais, a receita do varejo manteve a tendência de desaceleração exibida desde meados de 2014, reforçando nossa perspectiva de desaceleração da inflação à frente.

Leia: No terceiro revés consecutivo, vendas no varejo brasileiro caíram 0,4% em abril.

O volume de vendas no varejo restrito (que exclui as atividades de veículos e motos, partes e peças e de material de construção) recuou 0,4% entre março e abril, já descontados os efeitos sazonais, conforme apontado pela Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), divulgada hoje pelo IBGE. O resultado reportado ficou em linha com a nossa projeção (-0,5%) e abaixo da mediana das expectativas do mercado (alta de 0,3%, segundo levantamento da Agência Estado). Na comparação com o mesmo período de 2014, houve declínio de 3,5%. No mesmo sentido, o comércio ampliado (que considera as vendas de todos os segmentos) recuou 0,3% na margem e 8,5% na comparação interanual, acumulando retração de 4,1% em doze meses.

A retração do varejo foi generalizada entre as atividades pesquisadas, com apenas dois segmentos apresentando comportamento favorável. O destaque negativo ficou com equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação, cujas vendas recuaram 12,2% na margem. No sentido contrário, os segmentos de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo e artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria apresentaram elevações de 1,9% e 0,3%, respectivamente.

Na comparação interanual, a receita nominal das vendas manteve baixo ritmo de crescimento, com expansão de 3,9% em abril, ante variação de 10,3% em 2014 (essa conta é feita utilizando a série dessazonalizada das vendas nominais, pois a série original gera um indicador excessivamente volátil). Esse movimento está em linha com o enfraquecimento do mercado de trabalho observado nos últimos meses. Acreditamos que a descompressão dos salários, o aumento da taxa de desemprego e o fraco desempenho da economia doméstica como um todo deverão limitar uma recuperação mais sustentada do varejo. De fato, o consumo das famílias no PIB deve apresentar forte queda na margem no segundo trimestre – esperamos algo entre -1,5% e -2,0%. Por outro lado, isso deve também beneficiar a descompressão da inflação de forma mais acelerada à frente.

Levando em conta o resultado da PMC de abril e a queda de 1,2% da produção industrial no período, projetamos recuo de 0,3% do IBC-Br (proxy mensal do PIB), que será divulgado amanhã pelo Banco Central.

'
Enviando