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16/03/2018 12:46 por Redação

Com inflação baixa e atividade moderada no primeiro trimestre, BC deve cortar os juros para 6,5%

Depec-Bradesco*

Análise de Conjuntura


• Ritmo de crescimento do primeiro trimestre deve ser apenas moderado. O resultado do volume de serviços de janeiro veio aquém do esperado, refletindo menor dinamismo do setor no começo do ano, com contração de 1,9% em relação a dezembro. Já as vendas no varejo, referentes ao mesmo período, cresceram 0,9%, ligeiramente acima do esperado. Apesar dessa surpresa positiva e da volatilidade dos resultados nos últimos meses, o nível das vendas permanece relativamente estável nas últimas leituras. Os indicadores coincidentes de fevereiro também sugerem crescimento apenas moderado do consumo. Os números até o momento estão alinhados com nossa expectativa de expansão de apenas 0,5% para o PIB no primeiro trimestre.

• A despeito da pressão nos índices de inflação ao produtor, expectativa de repasse ao consumidor continua limitada. A alta do IPA agrícola explica a aceleração do IGP-10 em março, com destaque para o milho, refletindo questões internas de plantio do grão. Apesar da desaceleração, o IPA industrial ainda demanda atenção com o núcleo, que tem permanecido elevado. Em nossa visão, a alta das cotações agrícolas ainda não é suficiente para pressionar os preços de alimentos ao consumidor, ao mesmo tempo em que a ociosidade da economia deve limitar os repasses ao varejo dos bens industriais.

• No cenário global, a ligeira acomodação nos indicadores de atividade na margem e a inflação controlada reduzem a pressão por uma normalização mais acelerada da política monetária internacional. O desempenho do varejo nos EUA frustrou em fevereiro, refletindo as vendas mais fracas de automóveis. Apesar de os indicadores norte-americanos apontarem para um crescimento de 1,8% no 1º tri, abaixo do esperado inicialmente, continuamos a apostar em expansão de 2,6% no ano. Na Área do Euro, embora a produção industrial tenha surpreendido negativamente, o item de bens de capital continuou mostrando boa performance, reforçando a aposta de expansão do investimento na região. Já a inflação ao consumidor, tanto nos EUA quanto na união monetária, desacelerou no último mês, reforçando a expectativa de convergência bastante gradual para a meta de inflação nessas regiões.

Perspectiva semanal

• O Banco Central deve reduzir a Selic para 6,5% na quarta-feira. Desde a última decisão do Copom, a assimetria para baixo no cenário de inflação se confirmou, com descompressão mais intensa do que a esperada dos núcleos, o que nos levou a revisar nossa projeção de IPCA de 2018 para 3,5% no começo deste mês. Adicionalmente, os primeiros indicadores de atividade do ano reforçam a leitura de crescimento moderado no primeiro trimestre. Em nossa visão, as surpresas baixistas com a inflação e a retomada moderada da atividade levarão o BC a um novo corte de 25 bps na próxima semana. Contudo, considerando os efeitos defasados da política monetária e o balanço de riscos, o mais provável é que tenhamos o encerramento do ciclo de flexibilização monetária neste mês, caso o cenário evolua conforme o esperado.

• Na agenda doméstica, ainda será conhecido o IBC-Br de janeiro, que deverá recuar 1,0%, devolvendo parte da alta registrada em dezembro. Para o IPCA-15, esperamos alta de 0,09% refletindo ainda a deflação de alimentos e núcleos em patamar baixo. Já a nota do setor externo deverá reforçar a resiliência no balanço de pagamentos observada nos últimos meses, com superávit em conta corrente.

• Na agenda internacional, destaque para as decisões dos bancos centrais dos EUA e do Reino Unido. Em relação ao FOMC, deveremos observar uma elevação de juros, em linha com o esperado. Será importante verificar a evolução das projeções de taxa de juros dos membros do colegiado. Atualmente, o Fed espera 3 elevações na taxa em 2018. Esperamos que haja migração para 4 altas, mas as projeções do comitê ainda não devem incorporar isso nesta reunião. Já o Bank of England deverá elevar ligeiramente o tom, em face da piora da inflação corrente e do nível de atividade um pouco mais forte que o esperado.

* Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco.

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