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DOCES E SALGADOS

14/05/2019 08:13 por Redação

Monsanto é condenada a pagar US$ 2 bilhões a casal vítima do agrotóxico Roundup

Os idosos Alva e Alberta, que vivem na Califórnia, comprovaram que o herbicida é a causa do linfoma que ambos enfrentam

Um júri de Oakland, na Califórnia, condenou nesta segunda-feira (13) a Monsanto, propriedade do grupo alemão Bayer, a pagar US$ 2 bilhões a um casal de americanos que sofre de câncer e atribui a doença ao polêmico agrotóxico Roundup, que contém glifosato.

A ação foi movida por Alva e Alberta Pilliod, um casal de idosos que vive em Alameda, no condado de Oakland. Tanto Alva, de 77 anos, quanto a esposa Alberta, de 75 anos, disseram ao jornal britânico The Guardian que vinham usando o Roundup desde a década de 1970 em sua casa e em outras propriedades. O casal foi diagnosticado com linfoma não-Hodgkin, um tipo de câncer que inicialmente afeta os gânglios linfáticos, baço, medula óssea, timo, adenoides, amígdalas e trato digestivo. Alva desenvolveu câncer ósseo, enquanto Alva sofre de câncer no cérebro.

A indenização de US$ 2 bilhões por danos morais - US$ 1 bi por cônjuge - se soma a US$ 55 milhões reembolsados ao casal por despesas médicas, relata a Rádio França Internacional. "O júri viu os documentos internos da companhia que demonstravam que, desde o primeiro dia, a Monsanto jamais teve interesse em averiguar se o Roundup era seguro", destacou o advogado Brent Wisner. "No lugar de investir em uma ciência sólida, aplicaram milhões para atacar a ciência que ameaçava sua agenda comercial".

Este é o terceiro processo consecutivo que a empresa perde na justiça americana. A primeira decisão condenou a empresa a pagar uma indenização de US$ 289 milhões a um ex-jardineiro, valor depois reduzido para US$ 78 milhões. A segunda decisão determinou o pagamento de US$ 81 milhões a um aposentado da Califórnia, vítima de câncer depois de utilizar durante 25 anos o Roundup.

Bayer vai recorrer

Em comunicado, a Bayer se disse "decepcionada" com a sentença e anunciou a intenção de recorrer. O grupo alemão argumenta que diverge da recente conclusão da Agência de Proteção Ambiental americana sobre agrotóxicos à base de glifosato. "O consenso entre os principais reguladores de saúde, em todo o mundo, é que os produtos à base de glifosato podem ser manipulados de maneira segura e que a sustância não é cancerígena".

A Bayer comprou a Monsanto no ano passado por US$ 63 bilhões e enfrenta atualmente 13,4 mil ações envolvendo o Roundup nos tribunais dos Estados Unidos.

Leia também: Monsanto enfrenta 13,4 mil ações judiciais nos EUA contra o herbicida glifosato.

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