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DOCES E SALGADOS

14/05/2019 08:00 por Redação

Pequim sobretaxa produtos dos EUA e sobe o tom na guerra comercial

A partir de 1º de junho a China aplicará tarifas entre de 10% e 25% sobre US$ 60 bilhões anuais em produtos importados dos americanos

A guerra comercial entre os Estados Unidos e a China se acirrou nesta segunda-feira (13) com anúncio de Pequim de um aumento de suas tarifas aduaneiras sobre um montante de US$ 60 bilhões anuais em produtos importados dos EUA, em represália às medidas similares adotadas por Donald Trump.

Segundo o Gabinete da Comissão Tarifária do governo chinês, a partir de 1º de junho a China aplicará tarifas de 10%, 20% e até 25% sobre um conjunto de produtos americanos já taxados.

A rodada de negociações com o objetivo de dar fim à guerra comercial bilateral, apresentada como “a última oportunidade”, acabou na semana passada, em Washington, sem um acordo entre as duas potências, relata a AFP.

Na última sexta-feira (10), por determinação de Trump, as tarifas de importação de US$ 200 bilhões por ano de produtos chineses deram um salto de 10% para 25%. O presidente americano ainda pediu para taxar os US$ 300 bilhões restantes sobre as importações chinesas.

Os principais mercados de ações globais sofreram grandes perdas nesta segunda-feira, devido ao ressurgimento do conflito comercial. Wall Street caiu 2,37%, em sintonia com uma tendência de queda na Europa: Londres recuou 0,55%, Paris, 1,22%, e Frankfurt, 1,52%.

Reunião no G20

Em meio a declarações inflamadas, que incluíam ameaças de Trump à China durante a manhã desta segunda-feira, o presidente dos Estados Unidos mostrou alguma esperança à tarde, ao anunciar que se reunirá com seu colega chinês no final de junho na reunião do G20 em Osaka, no Japão.

"Eu acho que provavelmente será uma reunião muito frutífera", disse Trump a repórteres, especificando que ele ainda não havia tomado uma decisão sobre a imposição de mais impostos sobre o restante das importações. "Eu amo a posição em que estamos", disse o republicano. "Eu acho que está funcionando muito bem".

Nos últimos dias, o governo chinês prometeu várias vezes que tomaria "as medidas necessárias de retaliação" no caso de uma escalada da guerra comercial. "A China nunca cederá a nenhuma pressão externa. Temos a determinação e a capacidade de defender nossos legítimos direitos e interesses", disse Geng Shuang, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores de Pequim na segunda-feira.

Boeing na mira?

Pequim também poderia deixar de comprar produtos agrícolas e reduzir suas encomendas de aviões da Boeing, escreveu no Twitter o influente editor-chefe do jornal chinês Global Times, Hu Xijin, próximo ao poder.

O principal negociador comercial da China, o vice-primeiro-ministro Liu He, disse na sexta-feira (10) que as negociações com os Estados Unidos continuarão em Pequim, mas não antecipou uma data.

Alta das taxas alfandegárias nos EUA

Trump iniciou este conflito comercial no ano passado por causa de reclamações sobre práticas comerciais chinesas consideradas desleais. Os EUA pressionam a China para mudar sua política de proteção à propriedade intelectual, bem como subsídios maciços para empresas estatais e reduzir o grande déficit comercial.

Desde o ano passado, Washington e Pequim impuseram tarifas sobre várias centenas de bilhões de dólares no comércio bilateral, prejudicando as exportações agrícolas dos EUA para a China e afetando seriamente os setores industriais das duas nações.

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