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14/02/2019 09:05 por Advillage

"Os fantasmas do nazismo assombram o governo Bolsonaro", diz Le Monde

Jornal francês repercute reportagem da Folha que revela a proteção dada ao nazista Gustav Wagner pelo pai do atual chanceer brasileiro

O Le Monde principal jornal da França, repercute hoje (14) uma reportagem da Folha de S. Paulo que revela que o jurista Henrique Araújo, pai do atua ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, contribuiu para impedir a extradição do criminoso nazista Gustav Franz Wagner, nos anos 1970. Henrique Araújo, que morreu em 1996, foi procurador-geral da República entre 1975 e 1979, durante o governo militar de Ernesto Geisel.

A Rádio França Interacional assinala quie a reportagem do diário parisiense traz o título “Brasil: os fantasmas do nazismo assombram o governo de Bolsonaro” e a introdução: “Numa época em que membros do governo brasileiro não escondem um alinhamento ideológico com o nacionalismo da década de 1930, um artigo menciona a proteção concedida aos ex-nazistas pelo pai do atual ministro das Relações Exteriores”.

O ex-comandante do campo de exterminação de Sobibor, na Polônia, conseguiu fugir da Europa no final da Segunda Guerra Mundial. Depois de uma passagem pela Síria, ele chegou ao Brasil como “Gustav Mendel”, adquiriu uma propriedade no estado de São Paulo e tentou apagar seu passado.

Nascido em Viena, em 1911, conterrâneo de Hitler, Wagner aderiu ao partido nazista ainda bem jovem, e ficou conhecido pela sua eficácia no uso do monóxido de carbono, utilizado para assassinar os judeus e outros prisioneiros nas câmaras de gás do campo de concentração. Conhecido pela crueldade, ele chegou a atirar em um recém-nascido nos braços de sua mãe, lembrou o Le Monde.

Franz Wagner foi desmascarado em 1978 pelo caçador de nazistas Simon Wiesenthal (1908-2005), que assegurou ter reconhecido o ex-oficial da SS em uma festa em um hotel de Itatiaia (RJ) para festejar o aniversário de Hitler. Wagner, com medo de ser pego pelo Mossad, o serviço secreto israelense, se entregou espontaneamente à polícia brasileira.

Os pedidos de extradição formulados por Israel, pela Polônia e pela Áustria, porém, foram recusados elo então procurador-geral Henrique Araújo. O pai do atual chanceler, assinala o jornal francês, disse “não” ao governo israelense, argumentando que Israel não existia no momento dos crimes. Para a Polônia e Áustria, ele disse que houve prescrição dos crimes de homicídio.

Narra o Le Monde que Araújo se recusou a qualificar os atos de Gustav Wagner como crimes contra a humanidade. Em junho de 1979, o Supreo Tribunal Federal indeferiu por maioria os pedidos de extradição, entendendo que os crimes haviam prescrito, e o criminoso foi solto. No ano seguinte, em outubro, Wagner foi encontrado morto com uma facada no peito. A principal suspeita é que ele tenha cometido suicídio.

A Folha de S. Paulo, ressalta o Le Monde, lembrou que o chanceler Ernesto Araújo qualificou, em 2017, o regime nazista de nacional-socialista e de “esquerda”, e elogiou seu “sentimento nacional autêntico”. O jornal francês também destacou que, em 2012, durante um programa de TV, Bolsonaro admitiu considerar Hitler como um grande estrategista, comparando o Holocausto ao genocídio provocado pelo desvio de verbas no Brasil dedicadas à saúde. O então deputado deixou entender que os judeus seriam de qualquer forma, mortos de fome e de frio.

Leia a reportagem do Le Monde aqui (em francês). A reportagem da Folha pode ser acessada aqui.

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