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DOCES E SALGADOS

14/01/2020 08:01 por Redação

Quase oito anos após incêndio, Brasil inaugura nova base na Antártida

Estação de pesquisas científicas foi parcialmente perdida em 2012 e reconstruída mediante investimento de US$ 100 milhões

ESTAÇÃO BRASILEIRA NA ANTARTIDA
Com a presença do vice-presidente da República, Hamilton Mourão, o governo reinaugura hoje (14) a Estação Comandante Ferraz, base de pesquisa do Brasil na Antártida. Segundo a Agência Brasil, foram investidos US$ 100 milhões na obra.

O novo prédio, que fica na ilha Rei George, na Baía do Almirantado, foi erguido ao lado da atual base, que tem estrutura provisória. A Estação Comandante Ferraz foi criada em 1984, mas em fevereiro de 2012 sofreu um incêndio de grandes proporções. Na ocasião, dois militares morreram e 70% das instalações foram perdidas.

Para ficar acima da densa camada de neve que se forma no inverno, o prédio recebeu uma estrutura elevada. Os pilares de sustentação pesam até 70 toneladas e deixam o centro de pesquisa a mais de três metros do solo. Operada pela Marinha do Brasil, a instalação é destinada a pesquisas científicas nas áreas de biologia, oceanografia, glaciologia, meteorologia e antropologia.

Com uma área ocupada de 4,5 mil metros quadrados, a estação poderá hospedar 64 pessoas, segundo a Marinha. O novo centro de pesquisas vai contar com 17 laboratórios. Há, porém, o temor de que os recentes cortes orçamentários federais nas áreas de ciência e educação afetem os estudos na região.

A estação tem ainda uma usina eólica que aproveita os ventos antárticos. Placas para captar energia solar também foram instaladas na base e vão gerar energia, principalmente no verão, quando o sol na Antártica brilha mais de 20 horas por dia.

O projeto de reconstrução da estação é todo brasileiro e começou a ser executado em 2017 pela empresa China Electronics Import and Export Corporation, que dois anos antes havia vencido licitação realizada no governo de Dilma Rousseff (PT).

Falsa exaltação

Nesta segunda-feira (13), o ministro de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Marcos Pontes, atribuiu falsamente ao governo Bolsonaro a construção da nova estação. “Um grande projeto do Governo Jair Bolsonaro, através da parceria entre a Marinha do Brasil, responsável pela estrutura e operações, e o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, responsável pelas pesquisas”, escreveu Pontes no Twitter.

A afirmação, porém, foi desmentida em seguida pela jornalista Sônia Bridi, da TV Globo. “Ministro, quando Bolsonaro assumiu, em janeiro do ano passado, a estação estava nos retoques finais. Veja a reportagem que fiz lá em fevereiro de 2018”, tuitou a repórter, que adicionou um link convidando Pontes a assistir a reportagem no Globoplay.

Segundo a empresa de checagem Aos Fatos, as obras foram licitadas em 2015, na gestão Dilma, e tocadas a partir do início de 2016. De acordo com o histórico da execução das obras publicado pela Marinha, o plano era concluir a reconstrução em quatro etapas. A primeira delas terminou em dezembro de 2016, já no governo de Michel Temer (MDB).

A segunda fase foi concluída em março de 2017; a terceira, em novembro de 2017; e a quarta, mais demorada, acabou sendo dividida em duas etapas. Ao governo Bolsonaro coube a responsabilidade pela segunda etapa da quarta fase, que foi concluída em abril de 2019.

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