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13/02/2020 08:27 por Advillage

Ataque a jornalista na CPI das Fake News gera onda de solidariedade

Entidades, jornalistas e parlamentares repudiam acusações contra Patrícia Campos Mello, da Folha, feitas em pleno Congresso Nacional

O depoimento que Hans River do Nascimento, ex-funcionário da empresa de marketing digital Yacows, prestou na terça-feira (11) à CPMI das Fake News deve dar dor de cabeça ao depoente.

A bancada do PT anunciou que está encaminhando uma notícia-crime à Procuradoria-Geral da República (PGR), contra Hans River. A relatora da CPI, deputada Lídice da Mata (PSB-BA), disse que também analisará a possibilidade de entrar com representação no Ministério Público contra ele.

O processo criminal tratará sobre falso testemunho contra a repórter Patricia Campos Mello, da Folha de S. Paulo. O depoente negou ter disponibilizado informações sobre o processo trabalhista que moveu contra a empresa para jornais, e citou a repórter. Segundo River, a jornalista obteve documentos e fotos anexados ao processo por conta própria e teria se insinuado sexualmente a ele para conseguir informações para a matéria.

Leia: Ex-funcionário de empresa de disparo em massa mentiu à CPMI das Fake News, diz jornal.

Na própria terça, Patricia contestou o depoimento. À noite, o jornal divulgou documentos, fotos, áudios e mensagens de texto enviados por River à repórter na época, contradizendo o depoente.

Investigação

O senador Humberto Costa (PT-PE) declarou que a bancada do PT está disposta a iniciar um processo criminal de averiguação contra River. Ele disse que no momento adequado o depoente deve retornar ao Congresso quando tiver comprovação ou não das informações que ele apresentou à CPI das Fake News.

"Queremos que haja processo de investigação, processo criminal contra ele, que aqui agrediu a reputação de pessoas que sequer aqui estavam para se defender", afirmou.

O deputado Alexandre Frota (PSDB-SP) afirmou que a comissão não pode admitir esse tipo de agressão verbal que a jornalista sofreu. Ele disse esperar que a CPI tome as medidas legais. Para ele o depoente atacou uma mulher e foi amparado pelo governo, que ele julga despreparado.

A deputada Lídice da Mata declarou que, independente das ações que a CPI venha a tomar, cada parlamentar pode individualmente dispor suas decisões. "Depois do depoimento, houve manifestação da jornalista atacada que contestou ponto a ponto as declarações do depoente, o que constitui no mínimo uma possibilidade de testemunho falso", disse Lídice.

Para o deputado Rui Falcão (PT-SP), Hans River deve ser indiciado no relatório final da CPI das Fake News, pois é crime uma testemunha mentir. Ele declarou ainda que já subscreveu uma representação à PGR contra o depoente.

Falso testemunho

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), cobrou punição ao ex-funcionário da Yacows. Por meio das redes sociais, Maia afirmou que River deve ser punido no rigor da lei por ter mentido à comissão parlamentar de inquérito e feito declarações de cunho sexista.

"Dar falso testemunho numa comissão do Congresso é crime. Atacar a imprensa com acusações falsas de caráter sexual é baixaria com características de difamação. Falso testemunho, difamação e sexismo têm de ser punidos no rigor da lei", disse o parlamentar.

O presidente do colegiado, senador Angelo Coronel (PSD-BA), disse que a jornalista será convidada para dar seu depoimento na próxima semana, como possibilidade de contestar as declarações de Hans River.

A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo manifestaram, em nota, solidariedade à jornalista Patrícia Campos Mello, que foi alvo de ataques nas redes sociais após repercussão das declarações de Hans River.

Solidariedade

A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) também se manifestou, chamando de "machistas e misóginas" as ofensas proferidas contra Campos Mello que, segundo a entidade, "é uma das mais respeitadas jornalistas do país".

"A Abraji repudia a ação do deputado [Eduardo Bolsonaro], que repercutiu para milhões de seguidores alegações difamatórias. É assustador que um agente público use seu canal de comunicação para atacar jornalistas cujas reportagens trazem informações que o desagradam, sobretudo apelando ao machismo e à misoginia", escreveu a associação.

"Além disso, esta é mais uma ocasião em que integrantes da família Bolsonaro, em lugar de oferecer explicações à sociedade, tentam desacreditar o trabalho da imprensa."

A Associação Brasileira de Imprensa (ABI), por sua vez, afirmou que "a grosseria de que foi alvo a jornalista Patrícia Campos Mello está relacionada com dois fenômenos: os contínuos ataques à imprensa e aos jornalistas em geral e a multiplicação de comportamentos cafajestes". "Esses dois fenômenos têm sido estimulados por algumas das mais altas autoridades da República", completou a entidade.

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) manifestou "irrestrito apoio" a Campos Mello, "objeto de ataques e insinuações agressivas". "O uso de difamação para afetar a imagem de uma profissional de comunicação que incomoda justamente por sua competência merece repúdio das instituições que prezam a liberdade de expressão e de informação."

Em nota, a TV Cultura de São Paulo afirma que “o conselho curador da Fundação Padre Anchieta e a direção executiva da emissora repudiam veementemente as difamações caluniosas dirigidas à jornalista Patrícia Campos Mello”.

“Os ataques à jornalista, proferidos em pleno Congresso Nacional, evidenciam uma tentativa de intimidação dirigida não somente a ela, mas a todos os profissionais compromissados com a prática democrática do jornalismo independente - agravada por acintoso e repugnante machismo, que ofende todas as mulheres que, a exemplo da Patrícia Campos Mello, exercem suas atividades profissionais com dignidade”.

Com Agência Câmara

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