Home > ARTIGOS > Há instrumentos para combater desaceleração global, mas escala é limitada

ARTIGOS

13/02/2019 12:20 por Redação

Há instrumentos para combater desaceleração global, mas escala é limitada

Estevão Scripilliti*

A economia internacional entrou em um período de desaceleração mais pronunciada nos últimos meses. Em linhas gerais, o crescimento mundial passou de um patamar próximo de 4,0%, no início de 2018, para um crescimento na vizinhança de 3,0% nos últimos meses. Já discutimos com profundidade as causas dessa desaceleração em outras publicações: aumento das tensões comerciais, em especial entre China e Estados Unidos, instabilidades geopolíticas e crescente incerteza sobre as relações econômicas e políticas que vigorarão no médio prazo entre alguns países.

Em resposta a esse ambiente de perda de dinamismo do comércio e da atividade global, as autoridades começam a reagir, na tentativa de impulsionar as economias locais.Os instrumentos mais convencionais de impulso, são: relaxamento monetário (queda de juros, compra direta de ativos e outras políticas não convencionais); expansão fiscal (aumento de gastos públicos ou redução de impostos) e estímulo ao crédito (redução de compulsório, relaxamento de capital requerido dos bancos, entre outros).

Há um debate relevante sobre o espaço existente hoje em dia para o uso desses instrumentos no combate à desaceleração cíclica, após a larga utilização de cada um deles desde 2008. Consolidamos dados de variáveis relacionados a cada uma das três alternativas de estímulo para os países do G-20 (perfazem mais de 70% do PIB mundial), de forma a avaliar o espaço para utilização de cada um destes instrumentos.

Ao consolidar as variáveis monetárias, fiscais e de crédito, normalizadas para o período 2007 -2019, é possível afirmar que:

1 - Os níveis de dívida pública (problema de estoque) atuais são elevados e podem limitar o espaço para uso de impulsos fiscais mais intensos, mesmo com os déficits correntes bem mais ajustados (fluxo controlado) do que no auge da crise de 2008.

2 – Com poucas exceções, os países operam atualmente em seus níveis mais elevados de crédito ao setor não financeiro/PIB. Uma eventual aceleração da alavancagem não seria, assim, uma estratégia livre de riscos.

3 - A linha de defesa que teria mais espaço para uso seria a política monetária, na medida em que a inflação está baixa em vários países e o juro real não está tão deprimido. Entretanto, o nível dos juros nominais é baixo na maior parte dos países e, em alguns casos, está na vizinhança de zero. Portanto, ajustes significativos nos juros reais requereriam o uso mais ativo e intensivo de instrumentos não convencionais de política monetária, com grandes questionamentos sobre a eficácia destas medidas.

4 – Nosso indicador agregado, com todas as limitações que sabemos que existem, sugere que os países com maior espaço de reação a uma desaceleração, nesse momento, seriam: Índia, Alemanha, México, Estados Unidos, Rússia, Indonésia e Coreia.

Clique no botão DOWNLOAD, logo abaixo, para ler o artigo com gráficos e tabelas.

 * Estevão Scripilliti é economista do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco.

DOWNLOAD '
Enviando