Home > ARTIGOS > Características do mercado de trabalho nos últimos anos

ARTIGOS

12/06/2019 10:50 por Redação

Características do mercado de trabalho nos últimos anos

A gradual e limitada melhora da atividade econômica ainda não produziu efeitos significativos sobre a taxa de desemprego

Thiago Angelis*

O mercado de trabalho no Brasil segue fraco. O baixo dinamismo da atividade econômica, mesmo após o fim da recessão em 2016, não tem sido suficiente para reverter a piora registrada desde 2014. De modo geral, o aumento da população ocupada nos últimos dois anos tem sido insuficiente para reduzir mais rapidamente a taxa de desemprego, que tem flutuado entre 12% e 13% desde meados de 2016, apesar de alguns choques positivos na ocupação nesse período (como liberação do FGTS e PIS/Pasep). Nesse contexto, a ociosidade no mercado de trabalho tem contribuído para conter aumentos reais de rendimento, mantendo a massa salarial crescendo cerca de 2,5-3,0% ao ano.

O desempenho do mercado de trabalho, contudo, não tem se dado de forma homogênea dentre os segmentos da população e setores da economia. Alguns grupos são naturalmente mais vulneráveis ao desemprego e determinadas atividades acabaram sendo mais impactadas pela crise do que outras. Por meio da abertura dos microdados da Pnad contínua, é possível analisar os dados amostrais de emprego e rendimento desde 2012, controlando a análise por características da população e por setores de atuação na economia.

O aumento da ocupação na categoria conta própria foi importante para contrapor a piora do mercado de trabalho. Do total de cerca de 4 milhões de novos postos de trabalho registrados entre 2012 e 2019, a categoria conta própria representa quase 80% desse aumento. Quando se considera também a categoria empregador, é possível explicar quase que a totalidade do aumento da população ocupada. Porém, as categorias responsáveis pelo pequeno aumento no período são justamente as que tiveram os menores ganhos de rendimento em termos reais: tanto a categoria empregador como conta própria praticamente não registraram nenhum ganho real de rendimento entre 2012 e 2019.

Durante a crise, o desemprego poderia ter sido ainda maior não fosse pelo aumento da população em desalento, ou seja, aqueles que desistem de buscar emprego. No primeiro trimestre de 2019, o maior nível de desalento ocorria entre a população com menor nível de instrução e entre os menores de 18 anos que, em sua maioria, possui renda familiar que auxilia no seu sustento. Conforme a atividade econômica apresente crescente dinamismo nos próximos trimestres, é possível que essa população aos poucos recupere a perspectiva de encontrar uma ocupação, aumentando a população economicamente ativa (PEA) e impedindo assim um recuo mais rápido da taxa de desemprego. Por ora, a taxa de desalentados tem se mantido relativamente estável e acima dos 4% desde o segundo trimestre de 2018 (o maior nível desde o início da série da Pnad Contínua em 2012).

De modo geral, pode-se dizer que a gradual e limitada melhora da atividade econômica ainda não produziu efeitos significativos sobre a taxa de desemprego. O crescimento da ocupação, apesar de positivo, se dá em velocidade aquém da necessária para promover uma rápida queda do desemprego, dada a chegada de novos entrantes no mercado de trabalho. O fraco desempenho da economia tem impactado de forma negativa principalmente os mais jovens e a população de baixa escolaridade (o desalento entre esses grupos é grande). Diante disso, houve aumento de formas alternativas à ocupação formal, em especial por meio da informalidade e de aumento da população ocupada na categoria conta própria. De um modo geral, por conta do desalento e do esperado processo de formalização do mercado de trabalho (fenômeno inverso ao apresentado durante a crise), sem uma substancial aceleração no crescimento da economia, a queda da taxa de desemprego deverá seguir lenta nos próximos trimestres.

Clique no botão DOWNLOAD, logo abaixo, para ler o artigo com gráficos e tabelas.

* Thiago de Angelis é economista do Departamento de Estudos e Análises Econômicas do Bradesco.

DOWNLOAD '
Enviando