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11/10/2019 11:01 por Redação

Inflação comportada deve levar Selic a 4,5% no final do ano

Nosso cenário contempla ajustes para baixo na inflação de 2019 e 2020, e uma maior simetria no crescimento

Depec-Bradesco*

Há duas novidades importantes no cenário doméstico. A primeira diz respeito à dinâmica inflacionária, que continua muito comportada. A segunda novidade é uma sequência de dados positivos de atividade: varejo, serviços, crédito e emprego apresentaram desempenho melhor do que o esperado e tornaram o cenário de recuperação mais simétrico – com maior disseminação entre os setores.

Revisamos nossa expectativa de IPCA para 3,1% em 2019 e 3,7% em 2020. Os ajustes neste ano ocorreram nos grupos alimentação (de 4,0% para 2,8%) e administrados (de 4,6% para 4,0%). Neste último grupo, a principal mudança foi na gasolina, que tem se beneficiado de preços mais baixos de petróleo. A menor inércia inflacionária deve reforçar o cenário benigno para o IPCA também em 2020.

Se por um lado as surpresas baixistas com a inflação sugerem cortes adicionais de juros, por outro a recuperação que começa a ganhar corpo pode diminuir a necessidade, por parte do Banco Central, de prover estímulos adicionais. Em nossa visão, essa é uma discussão que ocorrerá nos próximos meses, mas entendemos que hoje o primeiro vetor tende a prevalecer sobre o segundo. Esse aparente “dilema” se equacionará no debate sobre juros neutros.

Nosso cenário contempla ajustes para baixo na inflação de 2019 e 2020, juros ligeiramente mais baixos do que o esperado anteriormente e uma maior simetria no crescimento. Esse cenário de melhor crescimento tende a se traduzir em um câmbio mais apreciado, especialmente se a agenda de reformas continuar na direção correta, o que deve viabilizar o cenário de juros baixos por todo o ano de 2020.

Sinais mais evidentes de desaceleração global

A desaceleração da economia global se tornou mais intensa e disseminada nas últimas semanas. Além da frustração com os dados mais recentes de atividade, as incertezas (guerra comercial, questões políticas nos EUA, a não-resolução do Brexit e tensões geopolíticas) seguem impactando negativamente a confiança, sugerindo continuidade do menor crescimento à frente.

Mantivemos nossa estimativa de crescimento do PIB mundial em 2,8% para o próximo ano, diante dos sinais mais evidentes de desaceleração da economia global.Os últimos dados corroboram nossa expectativa de que as incertezas que permanecem no radar e um contágio da fraqueza da indústria para os serviços devem levar a um menor crescimento no próximo ano.

Nos Estados Unidos, os últimos indicadores antecedentes divulgados elevaram as preocupações acerca de um arrefecimento mais rápido da atividade. Os índices ISM da indústria e dos serviços mostraram quedas maiores que as esperadas em setembro. Nossa projeção de crescimento de 1,6% do PIB dos EUA em 2020 já contempla desaceleração importante na passagem deste para o próximo ano. Nesse cenário, o Fed deve dar prosseguimento ao afrouxamento monetário, com mais dois cortes de juros neste ano e mais um em 2020, de 25 b.p. cada.

A economia chinesa, por sua vez, apresenta sinais de certa estabilização, sugerindo alguma reação aos estímulos fiscais e monetários concedidos ao longo deste ano. Em relação aos estímulos, é importante salientar que o governo chinês se mantém comprometido em preservar o crescimento sem comprometer a estabilidade financeira.

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* Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco.

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