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11/09/2019 12:47 por Redação

Diferentemente de 2018, desaceleração da economia pode agora ser mitigada pela política monetária

Nesse caso, o crescimento conseguiria voltar para perto da trajetória inicial – compatível com um PIB próximo de 2% em 2020

Rafael Martins Murrer e Igor Velecico*

O ritmo de crescimento da economia brasileira vem frustrando as expectativas nos últimos anos. Na primeira divulgação do relatório Focus de 2019, a mediana das projeções apontava para um crescimento do PIB de 2,5%. Hoje, a mediana encontra-se em 0,9%. Além disso, parece haver um contágio também das expectativas para 2020 – que caíram de 2,5% para 2,1% nos últimos meses. A nossa própria projeção passou de 2,2% para 1,9%.

Diferentemente de 2018, quando a piora das expectativas de crescimento não pôde ser contrabalanceada pela política monetária, em 2019 as condições de contorno da economia permitem que essas frustrações sejam compensadas por uma política monetária mais ativa.

Hoje, as condições de contorno são muito diferentes.Em primeiro lugar, a depreciação do câmbio de 2018 não se traduziu em aceleração da inflação, o que reforçou que o repasse do câmbio é hoje menor do que no passado. Em segundo lugar, o ambiente externo continua sendo, até aqui, de um dólar forte, mas houve uma mudança relevante na postura do Fed, que passou a cortar juros para minimizar o risco da desaceleração da economia mundial afetar negativamente o crescimento norte-americano (diversos bancos centrais têm adotado a mesma postura). Em terceiro lugar, os preços das commodities em reais hoje estão estáveis, o que significa que a depreciação da moeda foi mitigada pela queda das primeiras – em 2018, as commodities em reais subiram mais de 10%, o que produzia dúvidas pertinentes sobre a dinâmica inflacionária futura. Portanto, hoje, os riscos inflacionários são bem menores do que no passado.

A desaceleração global atua, nesse episódio, como um choque negativo de demanda.Normalmente dois instrumentos são usados para tentar reverter ou mitigar os efeitos de uma perda de dinamismo do crescimento: a expansão fiscal e/ou a flexibilização monetária. Sabemos que não há espaço hoje para uma política de aumento dos gastos públicos, uma vez que o principal problema enfrentado é justamente o desequilíbrio fiscal. Logo, o instrumento que resta é o afrouxamento monetário – reduzir os juros para estimular a demanda. Esse mecanismo só é possível de ser utilizado quando a inflação e as projeções à frente encontram-se comportadas, exatamente o cenário que observamos agora.

Em nossas simulações de efeitos da política monetária e crescimento, estudamos três cenários. Em (i) o PIB mundial se estabiliza em 3,2% e o BC leva a Selic a 5,5%; em (ii) economia global desacelera para 2,8%, sem resposta por parte do BC; em (iii) mundo desacelera e o BC corta os juros até 4,50%. Sem estímulos adicionais, a desaceleração global joga o crescimento dos próximos 12 meses para baixo, de maneira significativa, de tal sorte que o PIB brasileiro mostraria crescimento entre 1,0% e 1,5% no ano que vem. Com a resposta de política monetária, o crescimento consegue voltar para perto da trajetória inicial – compatível com um PIB próximo de 2% em 2020.

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* Rafael Martins Murrer e Igor Velecico são economistas do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco.

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